Cotas de cheia em Lajeado: engenheiros realizam estudo inédito e sugerem setorização de cotas para construção na cidade

No Porto de Estrela, o nível bateu no teto de 27,39m e, no Universitário, 30,6 m no mesmo momento.


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Rodrigo Schwinn (e) e Sidinei Hunemeier, engenheiros da C2B e autores do estudo (Foto: Tiago Silva)

Engenheiros da C2B Imóveis elaboraram um estudo inédito sobre cotas de cheia em Lajeado, que será levado à administração municipal visando à melhoria da legislação para novas construções na cidade, com o objetivo de evitar que elas sejam atingidas pela enchente no futuro. Atualmente, o plano diretor permite que estacionamentos possam ser construídos a partir da cota 24 e moradias, a partir da cota 27. Na visão dos engenheiros da C2B Sidinei Hunemeier e Rodrigo Schwinn, o município poderia ter cotas variadas conforme a região, uma setorização.


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O estudo elaborado por eles foi realizado em uma área do Bairro Universitário, comparado com a elevação hora a hora identificada em Estrela entre os dias 7, 8 e 9 de julho. No Porto de Estrela, o nível bateu no teto de 27,39m e, no Universitário, 30,6 m no mesmo momento. A partir dos 19,80m, as primeiras famílias já precisam ser removidas de áreas mais baixas de Lajeado. “A grosso modo, se você tivesse construído uma edificação na cota 27 no Universitário, essa edificação estaria praticamente toda coberta de água. Isso a legislação permite, por não ter essa setorização”, explica Schwinn.

Hunemeier detalha como foi realizado o estudo inicial. “Nós tomamos por base um ponto no Bairro Universitário, um ponto locado geodesicamente com base no ponto de referência aqui no Alto do Parque, que refere à altimetria de toda a cidade, em comparação à régua de nível em que são feitas as medições em Estrela.”

“Em cima disso, a gente identifica que, ao longo do curso do rio, há uma variação do nível aonde, no Bairro Universitário, esse nível é mais alto que a medição identificada em Estrela. Portanto, atingindo mais casas na região do Bairro Universitário. Inclusive com maior antecedência, visto que a gente tem uma variação de 3 metros e pouco, 3,3 metros nessa distância do rio. Então, as casas do Bairro Universitário teriam cotas mais altas sendo atingidas do que na região do porto de Estrela.”

Comparativo – Estrela x Lajeado (Foto: Reprodução)

Esse fenômeno ocorreria em função do Rio Forqueta, confirma o engenheiro. “Varia um pouco conforme a localização das chuvas. Onde você tem muita água represada, quando o Rio Taquari sobe a sua conta de nível, o Forqueta, que é um afluente dele, não consegue mais entrar por causa do fluxo da correnteza de água. Ele começa a represar e criar alagamentos na outra região, que faz a divisa com Arroio do Meio”, detalha Hunemeier.

“Justamente por ter essa variação no Bairro Universitário, a gente sugere a possibilidade de haver cotas variadas de permissão de construção dentro da cidade”, defende Hunemeier. “Uma setorização”, complementa Schwinn.

Saiba mais

As medições realizadas no estudo foram feitas no Bairro Alto do Parque, mais
precisamente na rua Pedro Petry, nas margens do Rio Forqueta, onde ocorre o deságue do Rio Forqueta no Rio Taquari. O método de medição foi a leitura de nível com nível a laser.

Instrumento utilizado pelos engenheiros para as medições em Lajeado (Foto: Divulgação)

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

 


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