Criciúma pode ser aqui!

Confira o comentário do promotor de Justiça Carlos Augusto Fiorioli no quadro "Direto ao Ponto".


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Promotor de Justiça Carlos Augusto Fiorioli (Foto: Arquivo / Grupo Independente)

Com absoluta certeza, não há quem não tenha se inteirado sobre os fatos ocorridos na cidade de Criciúma SC na semana passada; tanto quanto os tiros de lá, outros por aqui aconteceram, em face de comentários jornalísticos feitos acerca da “boa qualidade” dos agentes do crime.

Sinceramente, vamos muito mal; o fato é de proporções escandalosas em nível de inteligência policial; são várias agências no país e Estados, por suas polícias, a sempre averiguarem movimentos de pessoas ligadas ao crime e, especialmente, das organizações criminosas que atuam, no caso, na região sul; seus líderes são conhecidos, gerentes idem e soldados a cada dia são presos e fichados, apontando já na triagem penitenciária a qual organização se vinculam.


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Me refiro ao fato de não ter sido surpresa, a quem trabalha com investigação criminal, que algo de porte e magnitude iria acontecer; os fatos ocorridos e determinados por organizações criminosas pátrias no Paraguai e nas zonas de fronteira, bem como as enormes apreensões de substâncias entorpecentes e armas de fogo contrabandeadas quem vêm sendo feitas, por seguro já indicava que teríamos ações em estilo cinematográfico; me surpreende não terem os departamentos de inteligência policial rastreado alguma informação que desse ao Estado Polícia o fio da meada para inibir a ação e estar pronto e preparado para receber os agentes naquela madrugada.

Em verdade, é o que muito se faz, ou se tenta, aqui no RS com as agências de inteligências, especial da BM, PC, PF, PRF ao menos no que tenho conhecimento e vejo, quase que diariamente os efeitos valorosos de ações que demandam em prisões e apreensões. Mas, o que abala de modo profundo, atinge emocionalmente, é o nível de desconsideração ao Estado Polícia que, obviamente, não é perfeito em lugar nenhum nesse mundo, mas que é de fundamental importância à estabilidade social.

Me refiro à proclamação pelos meios seletos de mídia de falas aclamadoras da “bandidolatria” ou, de outra forma, a idolatria do bandido. É necessário refletir, e bastante, antes de expor opiniões tão corrosivas ao Estado, às vítimas e aos agentes de segurança.

Por fim, muitos me indagaram, na semana, se aqui no Vale poderia haver ação semelhante: a resposta é sim; é possível, na proporção do interesse da organização criminosa; porém, também digo, se algum rastilho de informação chegar aos meios policiais ou judiciais, certamente o combate será forte, intenso e fatal, pois o Vale está bem operacionalizado e, a cada dia, melhor se instrumentando; apenas se espera, dos formadores de opinião, ao menos decência.

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