Cuidado com a promessa

Os gatilhos mentais que podem influenciar negativamente na decisão do consumidor


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Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e do MasterMind RS (Foto: Tiago Silva)

Há aproximadamente 12 anos, recebemos em nossa sala de treinamentos, em Canoas, um empresário que era proprietário de uma loja de presentes. Ele chegou até nós esperando que faríamos um trabalho especializado sobre marketing. O participante ficou conosco por alguns instantes até que percebemos uma falha grave de comunicação. Ele estava com uma expectativa que não conseguiríamos atender, pois não abordaríamos em nenhum momento os aspectos que este participante buscava. Logo fizemos o reembolso do valor investido por ele e, imediatamente, corrigimos essa falha da nossa área comercial, que fez uma promessa que não conseguiríamos atender.

De lá pra cá, muita coisa mudou no que se refere a comunicação e marketing. Agências de publicidade e propaganda tradicionais, com vários funcionários e com clássicas campanhas de marketing, perderam espaço para inúmeros profissionais de marketing jovens, com modo de trabalho rápido e enxuto, especializados nas mais diversas plataformas e nos mais inovadores formatos para se comunicar com o cliente. Atualmente, o público em geral está consumindo informações de diversas formas e por diversos canais.

Com o objetivo de pôr a mão no bolso deste cliente, vê-se de tudo. Pessoas recorrendo para os mais bizarros apelos, expondo-se ao ridículo, prometendo mundos e fundos, tudo para obter um “like” a mais, ou para arrumar mais um seguidor e, posteriormente, efetuar uma venda. Vejo pessoas comprando seguidores no Instagram para impressionar a audiência ingênua com números mentirosos. Aí me pergunto: que credibilidade é essa? Mentir para impressionar? Há duas semanas estive no Gramado Summit e o tema central foi, além da Inovação, o Marketing Digital.

Vemos muitas estratégias de Marketing de Emboscada, Marketing de Tocaia, Marketing de Ficção, todas elas com o objetivo de criar na mente do consumidor uma demanda fictícia para, depois, vender um bem-estar também fictício, levando o consumidor para um “canto”, pegando ele na mais deslavada “covardia”. Porém, esse tipo de marketing já foi desmascarado por grande parte do público consumidor, fazendo com que essas estratégias não sejam mais utilizadas por empresas sérias, que possuem compromisso com o seu cliente. O marketing “a qualquer custo”, que alguns chamam de “marketing de picaretagem”, está sendo desmascarado, e o tempo cobrará o preço de quem usou esse modelo sem nenhum pudor. Costumo dizer que o problema do marketing digital é a “promessa”. Há anos trabalhos com essas ferramentas e, por vezes, fomos assediados por “pseudo especialistas” que dominam expressões em inglês, ferramentas revolucionárias e números milagrosos, mas que não conhecem as mais básicas leis de mercado da vida real, que é baseada na confiança e na reputação.

Nunca caímos nessa pois não queremos vender uma vez apenas. Queremos vender sempre. É por isso que não sacrificamos o futuro para obter um resultado imediato. Nosso compromisso é com a constância, com o futuro. É assustador ver pessoas prometendo milagres com entregas medíocres. Essas pessoas tendem a pagar o preço de perder credibilidade e reputação num mercado cada vez mais exigente.

Não recomendamos por em cheque um futuro promissor por um resultado imediato. Quando você for consumir algo digital, tome muito cuidado com a “promessa”, porque dessa maneira você evitará cair nas armadilhas desse segmento. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

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