Dançarinos de Lajeado cumprem quarentena na Bahia após testarem positivo durante trabalho em navio

Os professores Chirlei Priscila Losekann e Wagner Luceno dançam em cruzeiros e estão isolamento após serem contaminados, mesmo seguindo todos os protocolos da companhia


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Casal se apresenta em navios durante cruzeiros marítimos (Foto: Arquivo Pessoal)

Após muitas flexibilizações e a sensação de que já estávamos passando pela pandemia da covid-19, surgem novas variantes do coronavírus e o temor de que o mundo possa viver momentos críticos novamente, sendo os cruzeiros marítimos um dos primeiros locais a sentir os impactos. O casal de dançarinos de Lajeado e professores de dança, Chirlei Priscila Losekann e Wagner Luceno, atuam como “dancing maestro e animator cruise staff”, nos cruzeiros em navios, e estão cumprindo quarentena em Salvador na Bahia, após testarem positivo para o vírus, em quartos separados do hotel, devido a exigências por parte da companhia. Eles viajam a bordo de navios dançando desde 2013, e haviam retomado as atividades após dois anos, em novembro de 2021.


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Segundo Chirlei, na Itália eles embarcaram no navio Costa Smeralda, todos devidamente vacinados e testados. “Quando embarcamos, fizemos uma quarentena de dez dias no navio, sem casos de covid, com protocolos bem rígidos, e após trocar de navio, para o Costa Diadema, que veio para o Brasil, viemos somente com os tripulantes, todos limpos, sem nenhum caso de covid a bordo”, conta.

Quando chegaram no Brasil e começaram a embarcar os primeiros passageiros, começaram a surgir os casos, mesmo com todos os protocolos sendo respeitados pela companhia e pelos tripulantes, conforme a dançarina. “Não podemos sair da nossa cabine sem máscara, e a utilizada é a N95, além de luvas descartáveis, álcool em gel a todo momento e não tocamos nos passageiros.”

Dentro do navio, todos os protocolos são seguidos pela tripulação (Foto: Arquivo Pessoal)

O difícil, conforme a professora, é controlar os viajantes que estão de férias e insistem em não respeitar os protocolos exigidos. “Tiram a máscara para beber a todo momento, vão para pista de dança, e por mais que a gente fale para colocar, infelizmente eles não respeitam”, relata. Desta forma, então surgem os casos e as contaminações, segundo a professora. Seu esposo, Wagner Luceno, conta como está sendo o período de quarentena em quartos separados no hotel. “É entediante. Passamos o dia dentro de um quarto de hotel. A vista é só para prédios. Para passar o dia, usamos aplicativos de celulares, olhamos jornais e também fizemos leituras”, explica.

O período de isolamento é de dez dias, sendo o casal começou o processo no dia 31 de dezembro e acreditam que serão liberados entre os dias 9 e 10 deste mês. Porém, ainda não possuem comunicação com a companhia para saber como serão os procedimentos a partir de então. “Se nós ao recebermos o laudo de PCR negativo vamos estar livres para ir pra casa, se a companhia assim entender, e encerrar o contrato, ou se ainda a gente aguarda mais alguns dias no hotel e volta para a bordo, ou existe a possibilidade de irmos para Santos, em São Paulo, onde o navio está”, pondera o professor.

Casal está a bordo exercendo a profissão desde 2013 (Foto: Arquivo Pessoal)

Prejuízos para os profissionais

O casal conta que ficou quase dois anos sem exercer as atividades por conta da pandemia e comemoraram a volta dos cruzeiros. “Ficamos muito felizes quando nos chamaram para retornar. Eu embarquei no dia 11 de novembro e o Wagner no dia 20, então fazia pouco tempo que a gente estava a bordo e, infelizmente, já aconteceu isso. Fomos infectados e estamos em quarentena”, conta.

Sobre um possível fechamento das atividades, Luceno entende que ainda é cedo e os órgãos responsáveis precisam estudar essa questão. Porém, imagina que não aconteça. “Que a temporada se mantenha porque os protocolos estão sendo feitos, estão corretos e só aparecem tantos casos assim porque existem testagens em massa dentro do navio”, relata.

Chirlei considera injusto o que chama de “perseguição contra os navios”, pois em outro locais, há descumprimento de regras. “O que está sendo visto é só o lado do passageiro que perdeu o seu cruzeiro, mas vai ser ressarcido. E o nosso lado como tripulantes que dependemos disso não é visto, então que bom que temos esse espaço, pois a realidade não é bem essa que está sendo pintada, temos casos sim, mas está tudo controlado”, finaliza.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

 

 

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