De 3 a 8% das vítimas das enchentes vão precisar de cuidados em saúde mental, afirma psicóloga da Força Nacional do SUS

“No longo prazo, a maior parte das pessoas vai conseguir dar conta”, reforça Mirela Heinen Rediss


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Mirela Heinen Rediss (Foto: Gabriela Hautrive)

A saúde mental das vítimas das enchentes foi tema da conversa com a psicóloga Mirela Heinen Rediss, da Força Nacional do SUS, no Redação no Ar desta sexta-feira (21). De acordo com ela, são esperadas reações como angústia, preocupação, tristeza, choro e raiva no primeiro momento.

Conforme os dias passam, o ânimo retorna quando a reconstrução começa a tornar-se mais palpável. O problema é quando há novas cheias no meio do caminho, como correu no final de semana passado, um mês e meio após a maior tragédia socioambiental da história do Rio Grande do Sul. “Quando ocorre novos eventos, as reações voltam como se fosse o primeiro dia”, relata.

Entre as primeiras 24 e 72 horas, as reações são mais agudas, vinculadas a uma necessidade de sobrevivência. Até o terceiro mês é esperada uma diminuição em matéria de intensidade, mas ainda persistem as alterações físicas e emocionais dado o trauma.

“Cerca de 65% dessa população afetada vai conseguir dar conta desses sentimentos, dessa angustia, dessas reações emocionais a partir de estratégias comunitárias, a partir das suas próprias estratégias”, diz. “Uma pequena parcela, cerca de 20% da população vai precisar de algum nível de atenção, seja do seu posto de saúde, do seu médico de referência justamente para prevenir os agravos em saúde mental”, lembra Mirela.

“Apenas uma pequena parcela, de 3% a 8%, dependendo do território, vai precisar de um cuidado especializado em saúde mental – psiquiatras, psicólogos –, pessoas que por vezes já tinham alguma questão prévia, alguma fragilidade”, observa a psicóloga.

“No longo prazo, a maior parte das pessoas vai conseguir dar conta”, reforça. “A gente entende que é um momento muito difícil e, por isso, a gente precisa pensar nessas estratégias comunitárias. Num evento como esse, em que a tendência é as pessoas saírem de seus territórios, se isolarem, o desafio é como conseguir que elas reconstruam as suas identidades enquanto comunidade”, destaca.

Suporte

Desde o trágico evento de maio, a Força Nacional do SUS atua nas regiões afetadas pelas fortes chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul, em colaboração assistencial aos municípios e suas equipes locais. No Vale do Taquari, os profissionais concentram-se em locais mais afetados, como Cruzeiro do Sul.

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