Dê as mãos para as suas dúvidas antes de tomar uma decisão

Como é importante a gente dispor de tempo para poder analisar quais caminhos deve seguir, quais decisões parecem ser as mais acertadas


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Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

Você até pode não saber o que quer, mas você precisa ter clareza daquilo que você não quer. Mesmo que você fique indeciso diante de situações em que precisa escolher, o fato de não ter de lidar com aquilo que lhe parece indesejável já é alguma garantia de êxito. Para que você compreenda melhor a minha narrativa, vou relatar uma situação que vivenciei nesta quarta-feira. Estava sentada diante da Jordana, a manicure que cuida da manutenção das minhas unhas. Um dos prazeres dessa hora é escolher a cor que vou pintar.

Antes de entregar minhas mãos a ela, peguei três vidrinhos de cores diferentes no expositor de esmaltes: azul marinho, laranja e rosa bebê fosforescente. Quando fiz a seleção, tinha certeza de que não queria preto nem vermelho, muito menos prata o que facilitou a pré-escolha.

Você pode achar uma babaquice a pessoa viver um dilema desses com tamanha seriedade. Juro que também acho. Contudo, há algum ganho psíquico em problematizar algo que, no fundo, não significa grande coisa. Muito embora, posso supor que a cor do esmalte interferira no estado de humor ou até emocional da pessoa.

Quando pinto minhas unhas de preto, imagino que agrego agressividade ao meu perfil, o que pode ser interessante em certas circunstâncias. Se escolho vermelho, agrego sensualidade ao figurino, se opto pelo prateado, quase saio dando autógrafo porque me sinto uma estrela. A partir dessas análises, é possível considerar que eu estava diante de uma decisão significativa, especialmente porque não sabia como iria me sentir com as cores novas que havia separado.

Minha manicure observou que passei o tempo todo mudando os vidrinhos de posição. Encontrava argumentos plausíveis para alternar o primeiro lugar entre uma cor e outra. Quando, depois de mais de uma hora, chegou o momento de dar o veredito, eu continuava com as mesmas dúvidas. O que admiro na Jordana é que ela deixa a pessoa livre para lidar com a dúvida, somente dá pitaco quando é questionada. Foi o que aconteceu. Pedi um parecer técnico acerca de cada cor. Decidi pelo azul marinho porque considerei a pontuação da manicure quando disse que essa é uma cor elegante. Até agora não me arrependi.

Fiquei pensando que, diante de qualquer situação da vida, como é importante a gente dispor de tempo para poder analisar quais caminhos deve seguir, quais decisões parecem ser as mais acertadas. Importante também compreender que há ocasiões em que o olhar de uma outra pessoa pode ser fundamental. Por vezes, uma fala que ouvimos, uma frase que lemos, uma conversa que tivemos pode sinalizar o caminho que devemos seguir – na vida pessoal, na carreira, nos negócios. Na hora de escolher a cor do esmalte.

Texto por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

 

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