Deficiente visual faz pães para arrecadar dinheiro e trocar próteses nos olhos

Graziela da Silva, que mora em Arroio do Meio, precisa do tratamento médico que custa R$ 2,5 mil.


0
Graziela sempre teve interesse e aptidão pela cozinha (Foto: Natalia Ribeiro)

Mesmo sem enxergar, Graziela Fernanda da Silva, de 40 anos, produz delícias com as mãos. Na barra da saia da mãe e ao redor do pai, quando criança, ela aprendeu a fazer alimentos. Nunca viu a cor do que produziu, mas sentiu, e continua sentindo, o gosto especial, que é de dedicação e luta. Ainda que impondo dificuldades no seu dia a dia, o glaucoma congênito não a impediu de batalhar pelos objetivos que traçou. Agora ela tem as forças num desafio especial: fazer um tratamento médico, que é urgente.


OUÇA A REPORTAGEM

 


 

A moradora de Arroio do Meio nasceu com a deficiência. Graziela enxergava pouco, em um dos olhos, quando pequena. Por volta dos 8 anos de idade ela perdeu totalmente a visão. Mesmo assim aprendeu a fazer pastéis, bolos, salgados, massas e pães. No começo fazia sacolés para as crianças que brincavam na rua, no Bairro Navegantes, onde mora até hoje.

Faz quase 13 anos que Graziela não troca as próteses que tem nos olhos. A vida útil é de uma década, segundo ela. “Falei para o médico que eu tinha vergonha de sair porque às vezes, quando estava na rua, acabava escorrendo líquido. Faz uns dois anos o médico começou a pedir que eu trocasse, porque de tempo em tempo a gente tem que trocar”, conta ela. Este procedimento serve para drenar o líquido no interior do olho. Pelo atraso, toma medicações. Ele é feito em Porto Alegre e custa R$ 2,5 mil.

Graziela vive com o salário mínimo que recebe do Benefício da Prestação Continuada (BPC) e com o que ganha na sua empresa, a Delícias da Grazi. Paga aluguel, água, luz, compra alimentos e ajuda no tratamento do pai, que recentemente sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e ficou acamado. Sobra pouco. O custeio da consulta e o pagamento das próteses não está disponível no SUS.

Diante do cenário financeiro difícil a vizinha e amiga Chauana Rockenbach expôs a história nas redes sociais. “Ela nunca pediu. Ela sempre trabalhou para ter as suas coisas. Até por esta razão a gente pensou em colocar nas redes”, relatou a jovem.

Quando criança, Chauana foi cuidada por Graziela. Teve sua vida marcada por isso. “Foi minha tata. Trocou fraldas. A gente sempre comeu coisas gostosas dela então a gente tem conhecimento, de perto, de quão bom é e do cuidado que ela tem de fazer as coisas”. A proximidade e o conhecimento dos produtos a impulsionaram em ajudar.

Para arrecadar recursos e conseguir trocar as próteses, Graziela está vendendo pães caseiros a R$ 5 cada. Ela estima que o lucro seja de R$ 2. Teria de vender muitos para alcançar os R$ 2,5 mil necessários para fazer o tratamento. No começo da venda, em meados de junho, chegou a entregar 50 pães em um dia. Agora caiu a pouco mais de dez. Por isso, e pela urgência da troca das próteses, ela precisa de ajuda.

Interessados em comprar os pães e contribuir com a causa podem fazer contato com Chauana, pelo telefone 9 9212-7715 ou com Evelin, filha de Graziela, no 9 8952-8556. Como a moradora de Arroio do Meio tem obstáculos na entrega, pede que as retiradas sejam feitas na sua casa, na Rua Campos Sáles, 1132, no Bairro Navegantes.

Na tarde desta quarta-feira (19), pela segunda vez, Ana Cláudia Tomazini garantiu os seus produtos. E ainda levou mais. A moradora do Bairro São José, em Arroio do Meio, garante que são deliciosos. “Vi que eles postaram que ela faz massa caseira e salgadinhos e por isso vou levar a massa caseira para provar. Sem dúvidas deve ser boa, porque os pães são ótimos”, falou a cliente.

Graziela também aceita doações de ingredientes para fazer os pães. O seu número de telefone é o 9 9294-6312. Há mais um canal disponibilizado para quem tiver interesse em ajudar. É a conta na Caixa Econômica Federal em nome de Graziela Fernanda da Silva, na Agência 1708, Conta 25446-4, Poupança 013, CPF 828.363.610-34.

Natalia Ribeiro
jornalismo@independente.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui