Deixamos de reparar o belo se gastamos tempo demais com o lado feio das coisas

Confira a reflexão da jornalista, psicóloga, e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing


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Imagem ilustrativa (Foto: Divulgação)

Estava no quinto andar de um prédio em Porto Alegre. Desse lugar, uma ampla janela possibilitava ter uma visão alargada do bairro. Cheguei mais perto para ver o movimento e observar o que se passava na rua. Acontece que, assim que me aproximei do vidro, meus olhos começaram a limpar a vidraça. Como pode uma pessoa passar um pano só no meio? Por alguns instantes, listei produtos e procedimentos que usaria para assegurar uma boa faxina. Cheguei a ficar incomodada com a faxineira.


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Na adolescência, limpei diversas escadas de prédios na cidade, também corredores e janelas, talvez por isso sou exigente e tenho minhas implicâncias com serviço ao estilo matação. Muitas vezes, a pessoa deseja ascender na carreira, quer ocupar outros cargos, mas não faz bem feita a atividade atual para. Ou seja, se sou contratada para limpar uma janela, devo me empenhar para fazê-lo de forma brilhante. Primeiro, porque é meu dever. Acertei o serviço, recebo por ele. Segundo, se quero que ter boas referências, preciso merecê-las.

Pensava em questões dessa ordem quando me dei conta de que havia ido até a janela para observar a paisagem. E, se seguisse assim, deixaria de apreciar as belezas da rua porque meus olhos estavam focados no lambuzado que aparecia no vidro. Deixaria de ver, por exemplo, uma linda árvore que estava no pátio de uma casa. Isso me fez pensar na forma como olhamos para as mais diversas ocorrências da vida, inclusive para as pessoas. Quantas vezes, concentramos a atenção naquilo que deu errado e não enxergamos mais nada além deste lugar.

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