Dia da mata atlântica

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez no programa Acorda Rio Grande


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Foto: Divulgação

Dia 27 está marcado como evento para lembrar da importância da Mata Atlântica para todos nós. É uma das florestas com maior biodiversidade do planeta. Cerca de 8000 espécies vegetais são endêmicas (só existem nesta mata), corresponde a 55% arbóreas, 30% não arbóreas, 70% das bromélias e 64% das palmeiras. Quanto a fauna 39% dos mamíferos (15% dos primatas), 160 espécies de aves, 183 de anfíbios também são endêmicos, portanto só existem nesta mata. Ela se estende do nordeste brasileiro até o centro do Rio Grande do Sul. Infelizmente só restam 12,5% da mata original do Brasil.
A agricultura e pecuária, madeireiras, derrubadas para lenha e carvão, e crescimento urbano e turismo também tem sua parte nas causas da diminuição da mata. Só para lembrar a primeira árvore a ser perseguida foi o Pau-Brasil exportado par a Europa para fazer corante e tingir tecidos.

Originalmente o RS tinha 52% de seu território com Mata Atlântica (13,85 milhões de hectares) e o restante o Bioma Pampa. Nos restam apenas 7,9% ,1,1 milhões de ha da mata. Dos 497 municípios gaúchos em 461 tem ocorrência da mata.

Nosso Vale está todo dentro do Bioma Mata Atlântica e me preocupa a proposta de reduzir a mata ciliar do Rio Taquari. O pouco que ainda vem resistindo esperava que fosse feito um adensamento no existente e plantio de nativas no espaço que deveria ter mata ciliar. Bem verdade que nas áreas dobradas com dificuldades de trabalhar e foram deixadas de lado, há forte regeneração da mata. Mais vai levar muitos anos ainda para se considerada recuperada parcialmente.

Pesquisa nos últimos 30 anos mostram que vem sendo reduzido o desmatamento estimado em 83% em relação ao passado. Trabalho este realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE). E ainda aponta os que mais mostraram regeneração da mata. Podendo ser natural ou nativas plantadas. Se destacam Barros Cassal (476ha), Nonoai (472 há), Fontoura Xavier (266 há), Vacaria (247) e Soledade (244 há). Pelo que conheço de alguns destes municípios a maioria destas áreas deve ser por abandono e regeneração natural.

Quem quer se aprofundar e conhecer ás árvores do RS indico o livro “Madeiras do Rio Grande do Sul” (Raulino Reitz, Roberto M. Klein e Ademir Reis) está esgotado. Mas, com sorte pode ser encontrado em algum sebo, é uma relíquia, ou consulta em bibliotecas. Tem descrição das árvores e indicação de uso de cada uma. Outra alternativa é a internet.
Quem gosta de aves indico “Aves do Rio Grande do Sul”- Fernando Jacobs e Paulo Fenalti, – 2020. Descrição das aves, locais encontrados, fotos de excelente qualidade de vários fotógrafos. São registros de 713 espécies de aves e com mapas onde são encontradas. Também as do Bioma Mata Atlântica. E nesta área sete espécies foram extintas nas últimas décadas.

A erva mate uma das riquezas do Vale está aí incluída. Agora dia 27 terá uma Live ‘Seminário Gaúcho sobre produção de Erva Mate” ás 19:00 no Youtube da EMATER/RS-ASCAR. Quem é do setor recomendo.

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