Diarista que não sabe ler nem escrever usa as redes sociais com habilidade

"Uso um aplicativo que eu falo e ele escreve, assim posso usar as redes sociais", diz Leila C. Almeida, de 43 anos


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Foto: Joel Alves

A diarista Leila de Carvalho Almeida (43) nasceu em Braga, uma cidade no norte do Rio Grande do Sul, mas há um ano mora em Lajeado. Criada pelos avós, Leila não teve a possibilidade de frequentar os bancos escolares, e ficou ajudando seus avós na agricultura. “Ou estudava ou comia! Meus avós não me mandaram para a escola para eu ajudar nas atividades da roça”, fala Leila.

Apesar de não saber ler nem escrever, ela se comunica muito bem. Conhece dinheiro e reconhece as horas, um desafio para os analfabetos. Aprendeu a utilizar o telefone e as redes sociais com tremenda habilidade. Possui Facebook, Mensseger e Instagram, e para poder se comunicar por eles, utiliza um aplicativo que, ao falar, transforma o áudio em texto, assim consegue pôr na tela o que está pensando. “Aprendi a não depender de ninguém, e sei que o estudo é muito importante. Não pude estudar porque tive que trabalhar e a escola era muito longe. Hoje tudo é mais fácil”, lamenta Leila.

Leila já trabalhou na agricultura, servente de pedreiro, garçonete e hoje atua como diarista. Trabalha em dois lugares diferentes e, a partir da semana que vem, irá trabalhar também aos sábados. Questionada sobre o porquê trabalhar também aos sábados, ela responde sorrindo: “Sou analfabeta, não preguiçosa”.

Analfabetismo no Brasil

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, havia 11,3 milhões de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais de idade. Esse número é praticamente a população do Rio Grande do Sul.

Texto: Joel Alves


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