Disseminação da Covid-19 em Lajeado é a maior desde o início da doença, estima secretário de Saúde

Problema é proveniente das aglomerações de finais de semana e, principalmente, das atividades comerciais de restaurantes e bares, diz o médico pneumologista Cláudio André Klein.


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Secretário da Saúde de Lajeado, o médico pneumologista Cláudio André Klein (Foto: Rodrigo Gallas)

A disseminação da Covid-19 em Lajeado é a maior desde o início da doença, estima o secretário de Saúde (Sesa) do município, o médico pneumologista Cláudio André Klein. A afirmação foi feita na manhã desta quarta-feira (29) no programa Acorda Rio Grande. “Venho acompanhando pessoas que pegaram o vírus, mas nunca tanto como agora. Eu, pessoalmente, estou acompanhando seis que se infectaram. Então realmente está muito forte a disseminação do vírus entre a gente.”

Segundo o médico, apesar de maior, a concentração da doença está em pessoas mais jovens em comparação ao pico de abril. “O problema é este jovem que não tem comorbidades estar circulando e levando o vírus para os mais vulneráveis. Isso vai acabar repercutindo sobre aqueles que são mais idosos, porque o vírus estando aí, de uma maneira ou outra, ele acaba caindo no colo de alguém que é de risco e desenvolva problemas graves.”


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A região de Lajeado lidera o ranking do pior desempenho de isolamento social. Para o médico, o problema vem das aglomerações de finais de semana e, principalmente, das atividades comerciais de restaurantes e bares. “Você está num bar aglomerado com quatro ou cinco, aí entra um nas suas costas para te cumprimentar. Você já está sem máscara, poque está se alimentando. Bom, aí vai acontecer a contaminação. Se tiver uma pessoa contaminada, a contaminação vai acontecer.”

Klein reforça que o resultado ruim de Lajeado não vem do comércio em geral e da indústria: “O problema não é o comércio, porque este tem respeitado as recomendações de distanciamento, sem aglomerações dentro dos estabelecimentos. O mesmo vale para indústrias, que tem se mantido organizada. Também não registramos mais casos em lares de idosos. Tivemos um surto no presídio que também conseguimos controlar. Só que agora o vírus está disseminado em toda cidade e, realmente, a gente não vê, mesmo com apelo, [a conscientização das pessoas]”, lamenta.

Testes rápidos

Os testes rápidos para detectar o novo coronavírus estão sendo cada vez mais procurados nas farmácias, contudo, a eficácia desse método em diagnosticar a doença tem sido, constantemente, questiona por entidades de saúde.

O exame apresenta uma baixa sensibilidade, entre 20% e 30%, quando realizado nos cinco primeiros dias de sintomas. Klein aconselha a população a fazer o teste somente 14 dias após os primeiros sintomas. “O teste rápido não seve para ser feito durante a doença”, informa.

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

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