Doação de órgãos: diálogo familiar é essencial, ressalta médico intensivista

Decidir em meio à emoção é sempre mais difícil”, opina coordenador da OPO6 do HBB, Nelson Barbosa Franco.


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Médico intensivista Nelson Barbosa Franco, coordenador da OPO6 do HBB (Foto: Jonas de Siqueira)

Na manhã da última quarta-feira (26), a doação de coração, dois rins e fígado mobilizaram equipes médicas de Lajeado e Porto Alegre, no Hospital Bruno Born (HBB). Os Órgãos para doação foram transportados com helicóptero de Lajeado a capital.


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O médico intensivista Nelson Barbosa Franco, coordenador da OPO6 do HBB, ressaltou  a importância da conscientização sobre a doação, que pode ajudar a salvar muitas vidas e falou sobre a intervenção cirúrgica durante entrevista ao programa Redação no Ar desta sexta-feira (28).

Franco esclarece que o procedimento só é possível em pacientes que sofreram morte cerebral, perdendo a função do cérebro. Com a intervenção de aparelhos, é possível manter os órgãos em funcionando.

Segundo o médico especialista, o processo de diagnóstico do paciente é realizado em quatro etapas, e as equipes médicas realizam uma série de procedimentos. Inclusive, é realizado um exame complementar específico para confirmar se o cérebro do paciente está funcionando. Franco reitera que, primeiramente, todos os procedimentos visam assegurar a vida do paciente.

O profissional explica que após serem retirados, os órgãos são colocados em gelo para evitar reações químicas. “Alguns aguentam no máximo cerca de 3 horas, por isso a utilização de helicópteros em algumas situações”, declara. Segundo ele, podem ser doados, coração, pulmões, fígado, rins, pâncreas, pele, ossos e intestino.

Cada órgão tem sua lista de espera na Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, onde é conferido o tipo sanguíneo e a imunologia. Conforme o médico, passando por todos os procedimentos, demora em torno de 8 horas até que o paciente da lista de espera receba o órgão. Por lei, todos os transplantes são realizados pelos SUS.

O médico intensivista, Nelson Barbosa Franco ressalta que a única forma de se tornar doador conversando com os familiares próximos. “ O que dificulta é as pessoas não saberem que essa possibilidade existe”, afirma. Na maioria das situações, os parentes são chamados para tomar a decisão logo após o recebimento da notícia do falecimento, o que na visão do especialista, dificulta a aceitação, devido ao fator emocional. “Decidir em meio à emoção é sempre mais difícil”, opina.

De acordo com o coordenador da OPO6 do HBB, em 2020, a unidade realizou 15 aberturas de protocolos por morte cerebral. Do total, quatro tiveram negativa familiar e sete delas adesões. Nas outras quatro situações, não foi possível realizar a doação por questões médicas.

 

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