Domingos Bernardo: uma trajetória de vida publicada pela Independente

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Dirce com seu Domingos (Foto: Rádio Independente)

A vida de cada um de nós daria um filme, uma novela, um seriado, uma peça de teatro. Todas as histórias, se contadas no festival de cinema de Gramado, renderiam um “kikito”, ou, ganhariam a “palma de ouro” no Festival Internacional de Cannes, na França. Isso porque cada enredo de vida tem as suas particularidades. Acontece que, num entendimento menos poético, a gente poderia pensar que, para ser contada publicamente, a vida de uma pessoa deveria estar marcada por obras de repercussão social reconhecida, ou, talvez ela deveria ser autora de uma grande descoberta. Contudo, esta semana, tive a certeza de que uma história de vida deve ser contada sempre quando a pessoa pode dizer que sente orgulho da sua caminhada, daquilo que construiu com o suor do seu trabalho, da família que constituiu, das árvores que plantou e das ações socais que movimentou junto à sua comunidade.


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Cheguei a tal entendimento quando, na manhã dessa terça-feira, visitei Seu Domingos Bernardo da Silva Souza. Ele tem 94 anos, aliás, completa 95 no dia 15 de novembro. Homem simples, trabalhou a vida toda na lavoura, juntou dinheiro, comprou terras, teve importante atuação junto à comunidade de Pinhal, no interior de Bom Retiro do Sul, assim como também participou do movimento de ruralismo, na época da criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Pai de oito filhos, 22 netos, 30 bisnetos e dois tataranetos, disse, várias vezes, que sente muita alegria com a família que tem. Dos momentos marcantes, recorda da festa surpresa que os filhos preparam, no dia 28 de setembro de 2016, para marcar os 70 anos de matrimônio com Rosa Nilda de Souza, sua companheira de vida, falecida no ano seguinte, aos 88 anos. Emocionado, lembrou que, no primeiro dia após o casamento, a sua esposa levou café na roça. Garantiu que consegue lembrar exatamente do lugar onde estava trabalhando e da imagem da sua amada chegando com o lanche.

Seu Domingos com a esposa e os 8 filhos (Foto: Arquivo Pessoal)

Sempre muito afetuoso ao falar da mãe dos seus filhos, perguntei se tem alguma dica para a longevidade da relação conjugal. Desta vez, com um sorriso maroto, disse que, sempre quando percebemos que o outro está com a voz exaltada, devemos colocar um gole de água na boca e segurá-lo até que os ânimos se acalmem. Aliás, segundo Seu Domingos, essa receita funciona para as mais diversas situações da vida. Acredita que, pelo fato, de nunca ter agido por impulso é que, até hoje, vive sem contabilizar desafetos. Da mesma forma, como lembrou que não devemos fazer mal a ninguém, sempre ir pelo caminho da retidão, assim, não teremos do que nos arrepender. Quanta sabedoria!

Contei, aqui, algumas passagens da vida do Seu Domingos Bernardo, de Pinhal, interior de Bom Retiro do Sul, com quem tive a graça de estar na última terça-feira, encontro que foi mediado pela neta Iara Locatelli. Uma história que precisa ser contada publicamente, afinal, estive diante de um homem que tem orgulho dos seus quase 95 anos de vida.

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