“Dor imensurável”, diz secretária sobre perda de três pessoas da mesma família para a Covid-19 em Pouso Novo

Com forte ligação política no município, sobrenome Bonacina teve óbitos de pai, mãe e filha. Kelin Brock, responsável pela Saúde, fala do momento vivido.


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Ângelo, Helena e Maria de Lurdes faleceram em agosto (Foto: Reprodução)

Com aproximadamente 1,6 mil habitantes, conforme o IBGE, Pouso Novo, no Vale do Taquari, vive um momento delicado. Em agosto teve a perda de três pessoas da mesma família para a Covid-19. Todos eles tinham forte ligação com a comunidade. Uma perda irreparável, conforme a secretária de Assistência Social e primeira-dama, Kelin Brock. “Não há como definir o tamanho da dor que estamos sentindo”, diz.


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A Prefeitura não tem suspeitas de como a infecção ocorreu. Como eram muito conhecidos na cidade, o assunto e a dor aumentaram de proporção. “Todas as vidas são de valor imensurável, mas essa família teve e tem um papel muito importante para todos nós. Desde a nossa emancipação vem contribuindo em todos os aspectos da nossa comunidade”, comenta a responsável pela Saúde do município.

No dia 8 faleceu Ângelo Bonacina, primeiro prefeito de Pouso Novo e participante da comitiva de emancipação, aos 89 anos. Ele estava internado no Hospital Pompéia, em Caxias do Sul. Uma semana depois, em 15 de agosto, a esposa, Helena Bonacina, também morreu. Ela tinha 83 anos e morreu no Hospital Bruno Born (HBB), em Lajeado. Helena foi secretária da Saúde e também primeira-dama do município.

Depois, na quinta-feira (27), a notícia do óbito da filha do casal, Maria de Lurdes Bonacina, aos 67 anos. Ela morava há alguns meses em Pouso Novo. Antes residia em Porto Alegre. Todos eles eram participantes na comunidade, segundo a secretária. Tinham bons relacionamentos. O ex-prefeito ainda participava do coral católico. Nos últimos tempos eles faziam isolamento por conta da pandemia, já que eram idosos.

Secretária de Assistência Social e primeira-dama, Kelin Brock fala do momento (Foto: Reprodução)

O clima no município é de incredulidade. A secretária Kelin relata que “a nossa população está, além do luto, assustada. Tínhamos esperanças de que o vírus não chegaria na nossa cidade, mas ele chegou”. Inúmeras manifestações de solidariedade e empatia têm sido recebidas pela administração, que agradece a todos e pede a sensibilidade e a manutenção dos cuidados sanitários e de prevenção à doença.

Desde o começo da pandemia Pouso Novo já confirmou 13 casos do novo coronavírus, sendo que dez pessoas estão recuperadas e três faleceram. No momento não há pacientes internados ou em tratamento. No Rio Grande do Sul, Pouso Novo ocupa a segunda colocação em mortalidade, com 183.0 a cada 100 mil habilitantes. A primeira é de Charrua, com 3,2 mil moradores e nove mortes pela doença.

Texto: Natalia Ribeiro
jornalismo@independente.com.br

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