Doutora em bioquímica analisa a segurança e eficácia das vacinas desenvolvidas contra a Covid-19

Numa pandemia, com grande número casos, é possível concluir os estudos em um tempo menor, explica Luciana Weidlich.


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A doutora em Bioquímica e diretora da diretora da Salus Vacinas, Luciana Weidlich, falou sobre o processo de desenvolvimento, testes, eficácia e segurança de vacinações em entrevista no programa Redação no Ar desta segunda-feira (14). Conforme ela, “o que a gente está vendo é fantástico no sentido da inovação e do desenvolvimento da ciência”.

O comentário vem ao analisar a rapidez com que os principais laboratórios do mundo trabalham para oferecer um imunizante eficaz contra o novo coronavírus e a doença que ele causa, a Covid-19. Segundo a bioquímica, geralmente, as vacinas demoram entre cinco e dez anos para serem desenvolvidas e aplicadas.

 


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“O tempo de início e uso efetivo na população é bem variável”, pondera ela, que reconhece que, com o avanço da tecnologia e um cenário de pandemia, as vacinas são produzidas e aprovadas pelas agências reguladoras em menos de um ano.

As aplicações são aprovadas após três fazes de testes, com um grande número de pessoas. Numa pandemia, com grande número casos, é possível concluir os estudos em um tempo menor, explica a doutora. “Com isso, a gente tem segurança”, tranquiliza Luciana.

Ela diz que a produção “é um processo complexo que exige uma série de passos que precisam ser desenvolvidos para que a vacina esteja disponível nos postos de vacinação”.

A especialista diz que, no caso de doenças virais como a influenza ou a covid, não é preciso se atingir patamares de eficácia superiores a 90%, por exemplo. Luciana observa que imunizar grupos prioritários primeiro, e depois partir para a população em geral, já é possível ter uma redução de circulação e transmissão da doença.

Existem três tipos de vacinas desenvolvidas pelos laboratórios. Uma é feita com o vírus inativado. Neste caso, o sistema imunológico reconhece o vírus como ativo e produz uma resposta imunológica. É assim que é produza a CoronaVac, vacina chinesa produzida em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo.

Uma outra forma de desenvolvimento é pelo método RNA. Conforme explica Luciana, este método é inovador. Ele utiliza uma pequena sequência do código genético do vírus para despertar a resposta do corpo.

No terceiro método, é inserido um pedaço da sequência do vírus em um vetor viral. Ou seja, outro vírus atua como vetor para estimular a resposta imune do organismo. Por este processo é que são desenvolvidas as vacinas de Oxford, da AstraZeneca, e da Johnson&Johnson, além da russa Sputnik V. A bioquímica Luciana Weidlich faz uma ressalva de que desta última os cientistas ainda carecem de mais informações técnicas para avaliá-la.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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