Organização criminosa do Vale do Taquari é investigada por golpe milionário ao seguro DPVAT

Região seria um polo de fraudes no Rio Grande de Sul, segundo a polícia


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A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Lajeado, deflagrou na manhã desta quarta-feira (12) a Operação Aleteia, envolvendo 70 policiais e 35 viaturas. O objetivo é desarticular uma organização criminosa atuante no Vale do Taquari e em outras regiões, com envolvimento em estelionatos e falsificação de documentos, com especialidade em fraudes ao seguro DPVAT.


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Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em residências e empresas dos acusados. A organização criminosa agia em Lajeado, Cruzeiro do Sul, Estrela, Arroio do Meio, Teutônia, Venâncio Aires, Estância Velha e Portão.

A ação contou com o apoio da Brigada Militar. A investigação se estendeu por cerca de um ano e meio. Os policiais realizaram diligências, oitivas e busca por provas contra os envolvidos, culminando na identificação de seis grupos que agiam na região.

Conforme o delegado Dinarte Marshall Júnior, os policiais conseguiram provas de que laudos médicos foram adulterados para que a organização pudesse ganhar valores bem acima do que as reais lesões das vítimas. Em muitos casos as vítimas sequer tinham se ferido em acidentes de trânsito. Além disso, carimbos e receituários médicos foram adulterados para burlar a segurança da seguradora, responsável pelo pagamento dos seguros.

Foto: Júlio César Lenhard

A seguradora, que era responsável pelo gerenciamento do sistema do DPVAT, informou que, em 2018 e 2019, os grupos investigados haviam recebido cerca de R$ 5 milhões em pagamentos de seguros DPVAT. Contudo, pelo volume de encaminhamentos de pedidos, acredita-se que o valor recebido, nos últimos quatro anos, pode chegar ao valor de R$ 8 milhões.

Tramitam na Draco cerca de 90 inquéritos policiais para apuração das referidas fraudes, com início nos anos de 2014 a 2021. Alguns desses inquéritos foram originados por “notícias-crime” oriundas da seguradora administradora do seguro DPVAT.

Até o momento, a Draco apurou que 16 clínicas médicas ou hospitais tiveram documentos fraudados, tanto no Vale do Taquari, Vale do Rio Pardo, Serra Gaúcha e Região Metropolitana. Além disso, 28 médicos tiveram documentos, atestados, prontuários e exames com dados adulterados, ou utilização de seus nomes de forma indevida.

VÍDEO: Polícia cumpre mandados na Operação Aleteia

Como a organização criminosa agia

– Quando uma pessoa se acidentava em um veículo, os criminosos possuíam informantes dentro dos hospitais e UPAs que, de posse dos dados da vítima e informações do acidente, acionavam os cooptadores dos grupos criminosos.

– Um integrante da organização criminosa entrava em contato e oferecia os serviços do escritório para encaminhamento do auxílio DPVAT, muitas vezes, inclusive, dizendo que sem a ajuda deles a pessoa não receberia o seguro. Por vezes, ainda dentro dos hospitais e locais de atendimento médico é que ocorriam os aliciamentos, quando a vítima estava ainda sendo atendida.

– Após receber os documentos da vítima, os golpistas adulteravam os laudos apresentados, levavam a pessoa para uma consulta com um fisioterapeuta que participava do golpe e as lesões eram agravadas ou então simulando invalidez permanente, aumentando o valor a ser recebido.

– Assim que os valores eram liberados, a quadrilha repassava a parte que cabia à vítima, ou seja, apenas do ressarcimento das despesas que ela havia informado à organização criminosa, com os descontos pelos serviços e ficava com a diferença referente ao agravamento dos ferimentos ou pela invalidez permanente.

– Em outros casos as vítimas eram coniventes com a fraude, posto que sabiam não terem sofrido acidentes de trânsito, mas sim acidentes de trabalho ou domésticos. Tais pessoas eram então cooptados pelos fraudadores que os instava a realizar registros falsos e, consequentemente, laudos e perícias falsas.

– As investigações apuraram ainda que, mesmo após a negativa administrativa pela seguradora, o grupo não desistia e eram ajuizadas ações judiciais, buscando o pagamento na esfera litigiosa. Nesta fase, eram igualmente cooptados peritos e as vítimas eram sabedoras que não teriam sofrido lesões de natureza permanente. MS

 


1 comentário

  1. Deveriam investigar tambem a devastaçao ambiental, o setor da construçao civil e os investidores, o toma-la-da-ca….

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