Drummond está certo: mães não deveriam morrer nunca

“Para Sempre” é um poema de Carlos Drummond de Andrade que mostra a sensação de orfandade que a ausência materna nos revela


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Foto: Divulgação

Meu filho mais velho telefonou para dizer que a minha neta estava indisposta, com febre e coriza. Sintomas de resfriado. Enquanto ele falava, pensei em perguntar à minha mãe como deveria proceder. Como sempre, ela teria uma receita na ponta da língua. Nem terminei de pensar nisso quando me dei conta de que ela já está morta há mais de três anos.


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Acontece que a vida vai nos colocando em situações novas e desafiadoras, e, num momento desses, a gente pensa na figura materna. Quando, então, nos damos conta de que não existe mais a possibilidade de contar com a ajuda dela, somos tomados por um sentimento de impotência. “Para Sempre” é um poema de Carlos Drummond de Andrade que mostra a sensação de orfandade que a ausência materna nos revela. O poeta assim escreve:

Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Por outro lado, a figura materna nunca deixará de estar por perto, mesmo quando a mãe já partiu deste mundo. Cada um de nós carrega em si um reservatório de amor, de emoções e de ensinamentos que foram constituídos na sua presença. Desejo a todas as mamães um abençoado domingo! Aos filhos que, assim como eu não têm mais ela por perto, proponho que façam uma prece de gratidão. Afinal, a sua mamãe também foi a melhor mãe do mundo? A minha, com certeza!

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