Duvide das frases prontas que você ouviu na infância

É interessante pensar nas frases que ouvimos na infância e que podem ser determinantes para posturas que temos na vida adulta


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Dirce Becker Delwing é jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

Muitas das frases que ouvimos na infância fazem parte da mochila de crenças que carregamos pela vida afora. Quantas vezes, nos privamos de coisas que gostaríamos de fazer porque estamos tomados por conceitos que não possuem nenhum sentido plausível, mas, que, pelo fato, de terem sido ditos pelos nossos pais ou por adultos que foram referência na nossa formação, acabam tendo validade para nós. Quer um exemplo?

Há cerca de dois anos, tenho unhas compridas. Na infância, escutava a mãe dizendo que, quem pega no pesado, precisa ser prático. Uma dona de casa não poderia se dar ao luxo de ter unhas longas, até porque seria difícil mantê-las conservadas diante das demandas que o cuidado de uma casa requer. Cresci com isso na cabeça.

Desde que trabalho na rádio, observo as mãos da minha colega Angélica e penso que ela deve passar longe da pia ou de qualquer atividade que exige que as unhas fiquem expostas à água ou a produtos de limpeza por exemplo. Nas conversas que tenho com ela, recebo a garantia, em forma de depoimento, de que tudo é uma questão de treino e de costume, o que venho exercitando dia após dia. Nem sempre com êxito.

É interessante pensar nas frases que ouvimos na infância e que podem ser determinantes para posturas que temos na vida adulta. Muitas vezes, são dizeres cheios de preconceito e que acabam nos influenciando de forma negativa.

Outro dia, li uma resenha de um livro chamado “Sapatos vermelhos são de puta”, escrito por Jorgelina Albano. Ela é uma autora argentina, nascida em 1969, que escreveu o livro para falar sobre liberdade feminina. Símbolo de luta e poder, o vermelho também é associado à sedução. E, por isso, não seria uma cor favorável para mulheres bem comportadas, digamos assim.

Nesse sentido, um estudo coordenado pelo departamento de psicologia social da Universidade de Zurique, na Suíça, pesquisou o efeito da cor vermelha na percepção da autoestima sexual (publicado em www.mulher.com.br).

Em seus estudos, Anne Berthold e sua equipe descobriram que pessoas vestidas de vermelho se sentem mais desejadas. Talvez porque o vermelho é uma cor quente, culturalmente ligada ao amor, à paixão, ao desejo e às coisas do coração.

Então, hashtag! #usevermelho

Texto por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

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