É difícil olhar no espelho e dizer ‘eu sou negro’, porque o negro é invisível, afirma coordenadora do AfroBlack de Lajeado

Para a ativista Camila Marques, no Vale do Taquari, a situação é ainda mais delicada pela imigração italiana e alemã. “A gente tem que superar isso e aprender a caminhar juntos”, pede


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Camila Marques, coordenadora do Grupo de Cultura AfroBlack de Lajeado (Foto: Tiago Silva)

É difícil se olhar na frente do espelho e dizer ‘eu sou negro’, porque o negro é invisível, afirma Camila Marques, coordenadora do Grupo de Cultura AfroBlack de Lajeado. As declarações foram dadas no programa Troca de Ideias desta quarta-feira (17), ao detalhar as atividades realizadas pelo grupo e analisar o contexto da discriminação racial atualmente.

Para a ativista, no Vale do Taquari, a situação é ainda mais delicada pela imigração italiana e alemã. Ela pede uma revisão dessa postura: “Todas as imigrações foram difíceis, a gente tem que superar isso e aprender a caminhar juntos”. No próximo sábado (20) é comemorado o Dia da Consciência Negra.

 

“Infelizmente, a realidade é essa. Tu ser negro é muito difícil, te traz prejuízos, tu não consegue ser a pessoa que tu é”, lamenta. “A gente tem que entender que é uma sociedade preconceituosa. Isso está embutido, e a gente está tentando mudar isso. Tu ser negro é motivo de andar de cabeça baixa e ser invisível, como se devesse alguma coisa para alguém”, observa. “O que falta é dizer: tu é negro e tu é igualzinho aos outros. Bora estudar, bora se expressar. Tu tem as mesmas capacidades dos outros”, incentiva Camila.

Nesse contexto que surgiu o AfroBlack. “Nasceu da comunidade quilombola Unidos de Lajeado. Nasceu pela necessidade dos nossos jovens de se expressarem mais, terem a liberdade de fazerem poesias e fugir um pouco daquela coisa mais antiga. A gente sentou e conversou para criar um grupo para jovens com uma linguagem diferente. A gente lida mais com o empoderamento de jovens e adolescentes”, explica.

Atualmente, o grupo conta com 24 integrantes, e realiza atividades quinzenais de dança, poesia e música, além de cursos e formações. Conforme Camila, a proposta é falar sobre a negritude de uma forma mais leve para que as crianças e os jovens adolescentes se encontrem dentro dele. “Eu sempre digo que um negro não nasce negro; ele se torna negro. E o AfroBlack veio para isso”, ressalta.

Na entrevista, a coordenadora do grupo também destacou a importância das discussões promovidas no mês da consciência negra, enalteceu a importância de Zumbi dos Palmares e pontuou a necessidade de apoio do poder público às iniciativas culturais.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

1 comentário

  1. Falou muito bem, Camila! Parabéns.

    E digo mais: lugar racista, homofóbico, fascista e misógino igual ao Vale do Taquari desconheço!

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