Economia gaúcha pode perder pelo menos R$ 175 bilhões até 2029 como reflexos da enchente de maio

Segundo economista, é necessário aumentar a taxa de investimentos do Estado, que hoje gira em cerca de 16%, para algo na faixa dos 22 e 23% como estratégia para compensar as perdas


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Foto: Carolina Leipnitz

O Rio Grande do Sul deve ter uma perda acumulada de pelo menos R$ 175 bilhões no produto interno bruto (PIB) até 2029 com as chuvas e enchentes de maio de 2024. A estimativa é da Fundação Ulysses Guimarães, braço de estudos do MDB, que fez um dimensionamento de médio e longo prazo do desastre ambiental, no qual propõe alternativas estratégicas de recuperação e regeneração, pensando no futuro.

Conforme o economista Gustavo Grisa, “o Rio Grande do Sul perderá muito economicamente”. “O efeito de uma catástrofe vai se acumulando, o que se perde não se recupera naturalmente”, diz ele, em função da infraestrutura perdida e das perdas de produtividade.

Era esperado que o Rio Grande do Sul cresce 3,5% em 2024, acima do projetado para o país (2,5%). Porém, com a enchente, o tombo deve ser de 1,5%, o que totalizaria uma queda de R$ 33 bilhões somente neste ano.

Em função dessas perspectivas negativas, o estudo da Fundação Ulysses Guimarães sugere uma série de alternativas para que o Rio Grande do Sul mantenha a sua participação na economia brasileira, que hoje é de 6,2% do PIB nacional, e não resulte num empobrecimento geral do estado nas próximas décadas.

A recuperação passa por muito investimento e estratégias de atração de recursos, destaca Grisa. Segundo ele, é necessário aumentar a taxa de investimentos do Estado, que hoje fica em cerca de 16%, para algo na faixa dos 22 e 23% como estratégia para compensar as perdas.

Se isso não acontecer, alerta o economista, o RS pode normalizar a sua situação num padrão abaixo, caindo para 4,7% do PIB brasileiro em 2045, tornando-se o estado mais pobre da Região Sul.

Gustavo Grisa reforça a necessidade de estratégias além das convencionais. “Apenas esforços governamentais não serão suficientes, pelas limitações na formulação e na ação”, pontua, ao defender uma articulação internacional com entidades multilaterais e a criação de um comitê gestor paragovernamental.

“A urgência e o tamanho da tragédia exige e cria condições para isso”, destaca. “Pensar um pouquinho mais fora da caixa, senão a gente não vai conseguir juntar o capital e o investimento necessário para essa virada”, atesta.

Texto: Tiago Silva
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