Elas são do skate: Marília e Suelen falam sobre a paixão e dificuldades do esporte

Jovens de Arroio do Meio e Lajeado se dividem entre as profissões distintas e as manobras sobre rodas


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Marília Bettio Werner, de Arroio do Meio, e Suelen Taina de Souza, de Lajeado (Foto: Caroline Silva)

A medalha de prata  no skate street nas Olimpíadas de Tóquio da pequena Rayssa Leal, de 13 anos, é motivo de orgulho para as também praticantes do esporte, Marília Bettio Werner, de Arroio do Meio, e Suelen Taina de Souza, de Lajeado. Com idades diferentes, elas têm em comum a mesma paixão: manobras radicais sobre quatro rodas.


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Suelen, que é natural de Guaporé, mas mora em Lajeado há quatro anos, começou a andar de skate com 13 anos, apenas vendo meninos praticarem. Hoje o esporte radical faz parte da sua vida. “O skate faz parte de mim, é como se fosse uma dança que movimenta todo meu corpo. Agora que estou machucada sinto muita falta”, destaca. A jovem que trabalha em um supermercado e sonha em ser fisioterapeuta, está lesionada devido um acidente doméstico e por isso faz um mês que está fora das pistas.

Mas nem tudo são flores. Neste esporte também há olhares machistas sobre elas, já que é algo muito praticado por homens.  Marília, que é tatuadora, fala que na pista as meninas tomam cuidado com a roupa, por exemplo, por medo dos olhares masculinos. “São muitos meninos que apoiam e ajudam, mas ainda enfrentamos olhares que não deveriam existir. Muitas meninas deixam de andar por se depararem na pista com coisas que não são legais”, comenta.

Suelen concorda com Marília. Ela fala que já deixou de fazer certas manobras devido ao receio de ser observada de outra forma. “Tem bastante machismo na pista e às vezes deixamos de fazer uma manobra e isso nos prejudica e prejudica as futuras meninas que gostariam de praticar o esporte”, conta.

Mas isso não é motivo delas desistirem ou deixarem de incentivar futuras praticantes. Marília deixa um recado para as aspirantes ao skate. “Quanto mais mulheres tiverem andando, mais mulheres vão ter coragem para começar, todo mundo inicia de algum ponto”, destaca.

Texto: Caroline Silva
jornalismo@independente.com.br

 

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