“Ele foi vítima de um golpe do nudes”, diz advogado do vereador cassado em Muçum

Conforme Felipe Giretta, a defesa trabalha para recorrer o caso e anular a sessão. Assessoria da Câmara diz que processo foi finalizado na noite desta terça-feira (14)


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Advogado Felipe Giretta trabalha na defesa do caso (Foto: Gabriela Hautrive)

O vereador de Muçum, Leonardo Bagnara (PSD), teve seu mandato cassado em sessão extraordinária na noite desta terça-feira (14), porém, a defesa trabalha para reverter a situação. Ele estava respondendo por um inquérito que apurava possível falta de decoro parlamentar por conta da divulgação de fotos e vídeos íntimos gravados dentro de um banheiro. Quem assume a cadeira no seu lugar do vereador é o seu suplente Alex Fronchetti (PSD).


OUÇA O QUE DIZ A DEFESA

 


Em um primeiro momento, o vereador Bagnara informou para a reportagem da Rádio Independente que não irá se manifestar, mas depois enviou uma nota falando sobre o caso. Já o seu advogado, Felipe Giretta, disse que considera o processo injusto do ponto político e moral e irá pedir a anulação do sessão. “O vereador foi vítima de um golpe, o famoso golpe das nudes, que não é exclusividade dele, ele foi enganado, foi extorquido”, relata.

O vídeo íntimo de Bagnara foi divulgado por terceiros, conforme o advogado: “Não foi ele a pessoa que divulgou essas imagens”, afirma. Por outro lado, o profissional relata que um processo de cassação é político. “Existindo a maioria dos votos dos vereadores, necessários para cassação, o parlamentar pode ser cassado, independente da argumentação fática, porém, nós entendemos que no decorrer desse processo ocorreram algumas falhas de procedimento, algumas irregularidades da forma como foi conduzido”, avalia Giretta.

Vereador Leonardo Bagnara (PSD) teve seu mandato cassado nesta terça-feira (Foto: Redes Sociais / Divulgação)

A defesa informa que foi chamada uma segunda suplente para a votação, quando na verdade deveria ter sido chamado o primeiro suplente do vereador Bagnara. “Tanto é que este voto da segunda suplente foi o voto decisivo que levou a cassação do vereador, então essa irregularidade do ponto de vista da defesa técnica é formal, nós estamos questionando na justiça e permaneceremos questionando até última instância”, ressalta.

Assessor jurídico da Câmara de Vereadores de Muçum, Gustavo Taborda (Foto: Gabriela Hautrive)

Câmara diz que processo foi finalizado

Segundo o assessor jurídico da Câmara de Vereadores de Muçum, advogado Gustavo Taborda, a votação para cassação do mandato foi concluída com seis votos a três por parte dos parlamentares e o caso foi finalizado.

“Nós tivemos a sessão extraordinária para fins específicos de julgamentos deste processo, foi encerrado o processo na noite de ontem, ele não tem mais atos a serem praticados, somente formalização”, explica.

Taborda ainda relatou a forma como foi a votação: “Ocorreu de maneira nominal, todos os vereadores votavam, porque se trata de um coro qualificado, então seriam necessários dois terços da câmara para fim de cassação, seis votos ao todo, e foi justamente esse o resultado, por seis votos a faro e seis contrários, o vereador teve seu mandato cassado”.


OUÇA O QUE DIZ ASSESSORIA DA CÂMARA

 


Confira o que disse em nota Leonardo Bagnara

“Ontem, foi um dia difícil, para mim e minha família. A maioria dos meus colegas vereadores optaram pela cassação de meu mandato, levando em consideração um erro que cometi em minha vida privada.

Saliento ter ciência de que errei perante minha família, desrespeitando alguns princípios. No entanto, como já posto em outras oportunidades, meu erro se deu através de um golpe, do qual fui vítima.

Desta forma, nunca pensei ter minha moral julgada dentro de um ambiente público, de trabalho. Como se nenhum daqueles que votaram em mim tivessem cometido algum dia, algum erro.

Agora, com a consciência tranquila, este é um momento que uso para entender quem realmente me quer bem e quem são aqueles que estão a postos para atirarem pedras.

Confio na minha defesa e acredito que a decisão ainda não é definitiva, já que será recorrida judicialmente. Agradeço a minha família e aos amigos, que me abraçaram, perdoaram pelo cometido e entenderam o que sofri, dando-me chance para remissão.

Peço a Deus que siga me guiando, como sempre fez, para que eu continue em frente com dignidade e tranquilidade, colhendo os bons frutos que ele tem para nos oferecer”.

Ação iniciou em março

A ação foi movida pelos vereadores Marcos Bastiani (PSDB), Renato Zortea (PSDB) e Elton Pezzi (PP), além do presidente do PSDB, Renato Berté. Em maio já havia acontecido um encontro para definir o caso, mas naquela oportunidade durou apenas dez minutos e foi suspenso por conta do acusado optar em não se manifestar.

Tudo começou em março deste ano quando a denúncia contra Leonardo Bagnara (PSD) foi formalizada por meio de uma votação. Na oportunidade, foram cinco votos favoráveis, e após o processo foi instaurada a Comissão Processante. Caso tivesse ocorrido a manifestação do acusado na sessão do dia 9 de maio (que ele não quis se manifestar), teria sido feita uma votação dos vereadores para cassação ou não de seu mandato já naquele momento.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

 

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