Eleições, eleitores e Covid-19

Eleições, no Brasil, não dão trégua ao eleitor e nem às contas públicas, já que o financiamento delas, também é público.


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Carlos Augusto Fiorioli, promotor de Justiça, membro do Ministério Público em Lajeado (Foto: Arquiivo / Rádio Independente)

Seguramente essa trinca deve ser a reflexão e pensamento de expressiva maioria das pessoas nesse quase final de ano; atípico, incontestavelmente. Eleições, porque estamos a menos de 30 dias do voto, obrigatório no Brasil. Também porque, enquanto uns celebram ser a festa da democracia, outros olham o custo econômico de tal ação democrática e sua utilidade real na governança da representação e gestão pública do País, Estados e Municípios. Com os escândalos recorrentes de corrupção, com o mais alto Tribunal da nação em franco e absoluto desprestígio pela postura jurídica e institucional de seus membros, se vê o tamanho do caos e, pior, as perspectivas não são animadoras, até porque no próximo ano, teremos novel processo eleitoral para níveis estaduais e federal.


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Eleições, no Brasil, conforme o modelo político representativo adotado, não dão trégua ao eleitor e nem às contas públicas, já que o financiamento delas, também é público. Eleitores, certamente o eixo mais importante, porque cidadãos e, estes, antes de tudo moram e vivem nos Municípios, veem os governo quase como uma ficção.

Nos três entes da federação é difícil, para a maioria, identificar o que é política de Estado e política de Governo, até porque, do jeito que vamos, daria para afirmar que o que se faz é política de Governo mesmo! Assim, a cada gestão ou representação política nas Casas Legislativas, muda-se tudo, ou quase tudo, menos os atores que não raro se perpetuam numa dança entre os Poderes Executivos e Legislativos. Pelo que se ouve e vê, a insatisfação é grande.

Por fim, o grande vetor de 2020, o vírus chinês que dobrou o planeta, as pessoas e as economias; e, pelo visto, vai vergar mais ainda, quando se ouve que países como Alemanha, Espanha e Itália, mais uma vez estão se fechando para um lockdown prevendo uma segunda onda de Covid-19. Porém, o mais terrível, nos parece ser os indicativos para a economia da América Latina, pois especialistas em economia afirmam que estas levarão mais tempo a se recuperar. Isso é ruim, muito ruim, eis que não há economia nesse setor do mundo, verdadeiramente estável.

Temos falado da Argentina que, junto ao Brasil, são expoentes e, sabemos que por nossos pagos, as coisas não vão muito bem; mas por lá, a pobreza somente se acentua e o governo não tem como manter incentivos econômicos à população e nem às empresas que, ao final, geram emprego e renda. Longe daqui, mas importante no contexto da América Latina, está o México, que ganha e perde em ter um vizinho potência mundial – EUA – e ser rota e sede dos maiores cartéis do narcotráfico mundial. Porém, turismo e queda do preço do petróleo lhe impactam em fazer políticas públicas de apoio.

Por fim, por aqui, o que se tem de indicativo é que teremos as menores quedas de Produto Interno Bruto – PIB -, mas nada de reformas fiscais e seguiremos com uma dívida pública que nos consome praticamente todo PIB. Portanto, crescimento para a América Latina, talvez, somente após alguns anos, ou seja, anos nebulosos e instáveis pela frente se apresentam. Assim, nos resta fazer as lições de casa; participar dos processos democráticos, votando e escolhendo com muita cautela e atenção nos representantes e gestores, algo que certamente fará a diferença logo adiante.

Políticos despreparados e que não possuem antecedentes de trabalhos meritórios e sociais provavelmente serão descartados pelos eleitores que, por seu turno, cada vez mais exigirão dos governos municipais, estaduais e federal a demonstração de capacidade para lidar com políticas públicas claras de emprego e renda, bem como as reformas fiscais que são necessárias.

Carlos Augusto Fiorioli, promotor de Justiça, membro do Ministério Público em Lajeado

 

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