Em Israel, toda a população que pode e quer já foi vacinada, relata brasileira que reside no país há 39 anos

“De uma forma geral, Israel está retornando. Não é um retorno ao normal, mas começando um novo tipo de normal”, observa Rachely Rachewsky Scapa


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Brasileira reside em Israel há 39 anos (Foto: Arquivo pessoal / Divulgação)

O programa Redação no Ar desta quinta-feira (29) conversou com a jornalista e radialista brasileira Rachely Rachewsky Scapa. Nascida em Curitiba, ela passou a infância no Rio Grande do Sul e mora em Israel há 39 anos. De pai judeu, Rachely foi para o país do Oriente Médio em 1982, quando tinha 16 anos, por meio de um projeto de internato chamado “Classe brasileira em Israel”. Desde então, se estabeleceu lá.

Na entrevista, ela comentou como o país tem enfrentado a pandemia de coronavírus. Israel tem pouco mais de 9 milhões de habitantes. Mais de 5,1 milhões já foram vacinados com a segunda dose, e 5,6 milhões já receberam a primeira aplicação. O governo local tem organizado a campanha de imunização com a vacina da Pfizer.


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O fato de mais da metade da população local já ter sido vacinada traz alívio. Com isso, Israel já tem liberado algumas restrições. Conforme explica a brasileira, atualmente as únicas restrições ocorrem quando se entra em uma loja ou estabelecimento, por exemplo. Aí tem que colocar máscara, além da aplicação álcool em gel. Em espaços abertos, quando é possível manter o distanciamento controlado, é dispensado o uso de máscara.

Recentemente, o governo liberou as atividades em teatros e apresentações municipais, além das sessões de cinema. O transporte público também foi flexibilizado: caiu a limitação de até 20 passageiros no ônibus.

Com a imunização avançada, hoje a maior parte dos israelenses que ainda não foram vacinados são os menores de 16 anos, aqueles que têm restrição médica ao imunizante ou, então, não pretender receber as doses contra a Covid-19.

A vacinação não é obrigatória, mas o governo local tenta induzir a comunidade à vacinação, com campanhas de conscientização e proibição de acesso a serviços e locais sem a apresentação do chamado “passaporte verde” de que está imunizado. Esse comprovante é requerido nos mais variados locais, como em restaurantes, academias, na ginástica ou em teatros.

Segundo Rachely, os 14 meses em meio à pandemia tem sido desafiantes em termos de atendimentos em saúde, na economia e no mercado de trabalho. Israel passou por períodos de confinamento, especialmente no ano passado. O mais duro foi em marco de 2020, quando somente atividades consideradas essenciais como supermercados e farmácias ficaram abertos.

O sucesso na vacinação trouxe esperança ao país. “De forma geral, está tudo retornando, inclusive as escolas. As escolas estiveram funcionando no formato de pequenas cápsulas, ou seja, grupos pequenos de alunos”, detalha. “Eu não posso nem explicar a alegria dos alunos de se verem depois de mais de um ano”, comenta.

“De uma forma geral, Israel está retornando. Não é um retorno ao normal, mas começando um novo tipo de normal”, observa a brasileira.

Vacinas sobrando

Conforme a jornalista e radialista brasileira, o governo de Israel adquiriu o tripo de vacinas necessárias para imunizar a população. Rachely Scapa lembra que o país está doando vacinas para a Autoridade Palestina para aplicar em quem trabalha em Israel, e também de países vizinhos e próximos do Oriente Médio e África. O governo também está num processo de busca ativa para imunizar judeus residentes no exterior, como sobreviventes do Holocausto nazista.

Variante indiana

A grande preocupação das autoridades é com a variante indiana do coronavírus. A brasileira explica que muitos israelenses viajam pelo Oriente depois que prestam o serviço militar, e também há muitos judeus a trabalho na Índia.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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