Em Lajeado, 40% dos pacientes que ocupam leitos de UTI falecem

O índice de 17%, divulgado anteriormente, leva em conta também as pessoas que ainda estão na UTI; informações são da coordenadora da Vigilância Epidemiológica do município


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Coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Lajeado, Juliana Demarchi (Foto: Jonas de Siqueira)

Em Lajeado, 40% de todas as internações no Hospital Bruno Born evoluem para a necessidade de tratamento intensivo. E dos pacientes atendidos em UTI, 40% evoluem para óbito. O tempo de permanência na UTI tem sido de sete a nove dias, independente da faixa etária.

As informações foram dadas pela coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Lajeado, Juliana Demarchi, em entrevista ao programa Redação no Ar desta quarta-feira (3). De acordo com ela, é possível observar uma mudança no perfil das pessoas atendidas nas últimas semanas, momento em que o RS vive o seu pior momento de hospitalizações na pandemia de coronavírus.

Num primeiro momento, Juliana havia informado que o índice de internados na UTI e que faleceram era de 17%. Este índice leva em conta as pessoas que ainda estão internadas e que ainda não fecharam o clico de alta ou óbito. Conforme a coordenadora, o índice correto, na verdade, é de 40%. Dos 148 lajeadenses que já utilizaram a UTI, seja no Hospital Bruno Born, ou outros hospitais, 60 faleceram. Ela lembra também que em vários casos, as pessoas vão a óbito mesmo sem dar entrada na UTI.


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Juliana destaca que cerca 30% de pessoas têm com menos de 50 anos. “Destes, 48% não tem comorbidade associada”, informa. “É uma população jovem, sem comorbidade, que está evoluindo num quadro de agravamento muito significativo, de uma forma muito rápida, necessitando de atendimento hospitalar e suporte respiratório em terapia intensiva”, analisa.

“Tem se percebido na população mais jovem um agravamento importante da doença. Na população mais idosa não se percebeu um agravamento maior”, percebe ela, sobre o atual momento. “A doença, dentro dos casos idosos, tem se apresentado de uma forma diferente do que a gente vê hoje na população com menos de 50 anos”, compara.

“Acredita-se que a disseminação maior da doença ocorreu principalmente pela população que circulou pelo litoral”, percebe Juliana. Antes, os picos eram mais isolados. Agora ocorre de uma forma abrangente. “Isso propiciou a disseminação do vírus de uma forma mais abrangente pelo estado”, destaca.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Lajeado projeta que a redução de internações e ocupação de UTI só dará em aproximadamente um mês, se o estado conseguir frear as atuais taxas de transmissibilidade.

Juliana aborda a nova variante do coronavírus P1, conhecida como variante de Manaus. Segundo ela, a nova cepa traz carga viral mais alta e tem transmissibilidade maior, e está vinculada à população mais jovem.

Segundo a coordenadora, a variante já é considerada de transmissão comunitária na Região Metropolitana de Porto Alegre, segundo análise da Vigilância Sanitária Estadual. No Vale do Taquari ainda não há casos confirmados da nova cepa.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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