Em meio à pandemia, pessoas se endividam mais, mas não se tornam mais inadimplentes

No mês de fevereiro de 2021, 66,7% das famílias brasileiras admitiram ter alguma dívida


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Cíntia Agostini (Foto: Arquivo / Rádio Independente)

No mês de fevereiro de 2021, 66,7% das famílias brasileiras admitiram ter alguma dívida, considerando que estas dívidas são dos cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, prestações e seguros de veículos. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), esse é o maior patamar de endividamento dos últimos 11 anos.

No entanto, esse endividamento não indica necessariamente inadimplência, ou seja, as pessoas estão usando formas de adquirir bens e serviços e pagar parceladamente. Nesse mesmo período, as famílias com contas em atraso praticamente não variou, mantendo o patamar de pouco mais de 24%. Inclusive, desde o início da pandemia, esse percentual aumentou, mas não variou mais que 1% das famílias que admitem ter dívidas atrasadas.

Já os gaúchos possuem um endividamento maior que a média federal, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos consumidores gaúchos (PEIC-RS), divulgada pela Fecomércio-RS nesta semana, indica que 74% das famílias possuem dívidas, mas a inadimplência é a mesma da média nacional, ficando dentro dos 24%. Percebe-se que as famílias de menor renda possuem um endividamento maior, mas que as famílias de mais alta renda tem aumentado seus níveis de endividamento nos últimos meses.

Todos esses aspectos dão conta de como as políticas públicas e programas federais e estaduais contribuíram para a manutenção do emprego e renda da população no ano passado e que agora, com a continuidade da pandemia, estão sendo revisitados.

Os problemas decorrentes do endividamento são pessoais, já que as pessoas dispõem das suas dívidas de forma parcelada para melhor se programar, no entanto, a inadimplência e os quase 9% destes pesquisados que admite que não terão como pagar suas dívidas, expõem a fragilidade econômica do momento e a necessidade de políticas públicas que deem conta de minimizar o impacto da crise de saúde pública e crise econômica atual.

Cíntia Agostini, economista, doutora em desenvolvimento regional, professora universitária e coordenadora do Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari (Tecnovates).

 

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