Empresa Velas Imigrante é reconstruída após incêndio e proprietário enfrenta impactos da pandemia para retomar produção

Com R$ 800 mil de prejuízo, local foi consumido pelo fogo em 2019. Produção era de 4 a 5 toneladas por mês e foi reduzida para uma tonelada


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O início da empresa foi no porão da casa de Mattuella e sua família (Foto: Gabriela Hautrive)

Um projeto que começou no porão de uma residência em 1º de agosto de 2006, se transformou em uma empresa com grandes produções de velas e funcionários no Bairro Esperança, em Imigrante. Cerca de 13 anos depois, foi destruída pelo fogo na madrugada do dia 10 de outubro de 2019. Contou com a ajuda de amigos, empresas e comunidade, se reconstruiu, abriu as portas em maio de 2020, e hoje trabalha tentando retomar 100% de sua produção, superando as dificuldades impostas pela perda e pelos impactos da pandemia.

Assim é a história da Velas Imigrante, empresa familiar de Cleibler Jair Mattuella, sua esposa Andrea Luiza Scheer Mattuela e três filhas do casal: as gêmeas Alice e Isabelli de 9 anos e Yasmin de 15. O empreendimento também conta com ajuda de outros familiares e uma funcionária.


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No local são produzidas velas de diferentes tipos e designs. Em 2019, um incêndio ainda sem causas confirmadas, tomou conta de toda a estrutura da empresa, queimando maquinário e produtos em estoque, o que resultou em um prejuízo de cerca de R$ 800 mil, sem contar objetos pessoais e materiais de valores sentimentais, impossíveis de serem recuperados. O proprietário, Cleibler Jair Mattuella (44), conta que com a ajuda de amigos e familiares conseguiu forças para fazer com que tudo fosse reconstruído.

“No dia só pensei em deixar queimar, mas passando uns dias, com ajuda de amigos, agradeço muito a Metalúrgica Hassmann, que foi o estopim e a força quando os proprietários me disseram: se tu tem capacidade, nós vamos reconstruir”. Mesmo com incentivo, Mattuella cogitou a ideia de voltar a trabalhar como vendedor, porém seguiu recebendo apoio para continuar com a empresa, se transformou em servente de pedreiro, ajudou em diferentes frentes da obra e em 90 dias a Velas Imigrante estava em pé novamente.

“Em primeiro de maio já estávamos com as portas abertas para começar a produção de velas”, relata. Foram R$ 320 mil investidos pelo proprietário em uma reconstrução que contou com ajuda de muitas mãos, inclusive da comunidade que doou cerca de R$ 4 mil através de uma vakinha online. “Recebemos ajuda da metalúrgica que nos deu toda parte estrutural do telhado, boa parte da concretagem, ajuda de amigos, em que eu paguei somente o material, parte da pintura eu fiz, consegui as tintas a preço de custo com a Santa Cor Tintas de Colinas e com isso calculo que economizamos cerca de R$ 160 mil”.

Devido a isso, foi possível dar continuidade ao trabalho, porém a chegada da pandemia reduziu as vendas e produção. A matéria-prima mensal, que era de 4 a 5 toneladas, passou a ser de apenas uma, além da perda de muitos clientes, indo de 800 para aproximadamente a metade. “Se passar a pandemia, acho que em cinco anos nós recuperaremos tudo”, pondera. Enquanto não passa, Mattuela se reinventa e cria novos produtos diante das adversidades. “Primeiro foi a falta de matéria-prima, depois aumento de preço, fechamento de religiões devido as cores das bandeiras no Estado, mas cada vez tentamos buscar clientes, fazer vendas online e investir em mídias”, conta.

No local é possível encontrar velas de diferentes tipos, formatos e cores e tamanhos (Foto: Gabriela Hautrive)

A empresa atua com vendas em diferentes formatos: representantes espalhados pelo estado, via site velasimigrante.com.br e loja localizada junto da fábrica. “O cliente pode ver e tocar na vela, com um atendimento diferencial, velas artesanais, ornamentais e não só a linha religião que temos no site”, explica. No local é possível encontrar produtos com valores que variam entre R$ 2 a $ 150 reais, ou até mais, dependendo do tipo de vela, com opções de personalizações feitas na hora, tudo depende do peso e modelo de preferência do cliente.

 

Relembre o caso

Um incêndio atingiu a fábrica de velas no final da madrugada da quinta-feira, dia 10 de outubro de 2019, em Imigrante. O Corpo de Bombeiros de Estrela foi acionado por volta das 5h50 e deslocou até a rua 10 de Abril, no Bairro Esperança. Os Bombeiros Voluntários de Imigrante e Colinas (Imicol) também trabalharam no local desde o momento do início do sinistro, assim como equipe de Saúde do município de Imigrante e da Brigada de Incêndio da empresa Metalúrgica Hassmann.

Esquerda para direita: Imagem do incêndio em 10/10/2019 e imagem da reconstrução em 23/04/2021 (Fotos: Divulgação e Gabriela Hautrive)

A empresa também fez doação de espuma para auxiliar no controle das chamas, redutores de mangueira e dez lances de mangueiras. Ao todo foram utilizados em torno de 7 mil litros de água e 40 litros de espuma. O incêndio de grandes proporções causou chamas altas e intensa fumaça, podendo ser visto de várias partes do município. Conforme o prefeito em exercício na época, Charles Porsche, a fábrica foi totalmente destruída, mas ninguém ficou ferido. De acordo com ouvintes, uma casa ao lado precisou ser defendida pelas corporações, para que o fogo não se alastrasse para a mesma.

Empresário relembra o dia do incêndio e mostra a empresa atualmente

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Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br


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