Empresas e trabalhadores divergem sobre possibilidade de nova greve dos caminhoneiros no RS

Novo reajuste no diesel anunciado pela Petrobras causou apreensão no setor de transporte


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Foto: Ilustrativa

O reajuste de 8,87% no preço do diesel para as distribuidoras, anunciado pela Petrobras e válido desde a última terça-feira, provocou apreensão no setor de transporte, e o temor de nova paralisação dos caminhoneiros, inclusive no Rio Grande do Sul, se tornou realidade. O movimento em direção a uma greve iniciou nesta semana no Espírito Santo, onde o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Sindicam/ES) disse, em nota, que a “situação dos autônomos ficou insustentável depois de tantos reajustes”, sinalizando ainda apoiar uma eventual suspensão das atividades.

Até este momento, no entanto, não há indicativos de que os caminhoneiros capixabas paralisaram de fato, segundo afirmou a Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac), por intermédio de seu presidente, André Luis Costa, que também preside a Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul (Fecam). O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), o gaúcho de Ijuí Carlos Alberto Litti Dahmer, afirma que a entidade está “se movimentando”.

Sem revelar o teor do que será discutido, Dahmer diz que haverá “importantes reuniões” neste sábado e na próxima terça-feira, para “definir se haverá ou não uma ação”. “Sou favorável a uma reação forte”, comenta. O motorista de aplicativo Marcelo Rosa, de Cachoeirinha, é administrador de um grupo no Facebook que reúne caminhoneiros com mais de 320 mil membros, bem como outro menor no Telegram. Na opinião dele, “a greve sempre foi política”. O próprio Marcelo já foi caminhoneiro, mas conta que deixou a atividade por volta de 2018, por motivos alheios à grande greve do setor do transporte, que naquele ano provocou transtornos no Brasil todo por onze dias.

“Acredito que tenha uns 20% que querem fazer greve, mas a maioria não quer, querem trabalhar”, afirma, dizendo ainda que “há um movimento” em direção a uma provável paralisação. A Petrobras justifica o atual aumento do diesel dizendo que há uma redução de oferta frente a demanda mundial e sensível redução dos estoques globais deste combustível. Afirma ainda que este é o primeiro reajuste em 60 dias, que fez com que o preço médio de venda às distribuidoras passar de R$ 4,51 para R$ 4,91 por litro.

O que dizem as empresas

Para o presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Sistema Fetransul), Afrânio Rogério Kieling, o aumento do diesel não é apenas uma tendência nacional, mas global. Ele diz ainda que a entidade tem acompanhado as mobilizações. “Acredito que não há uma chance de isto acontecer”, diz, sobre a sugestão de greve. Já Costa é mais enfático, afirmando acreditar que o movimento é “político”, considerando o contexto de aproximação das eleições e eventual descolamento de lideranças destes grevistas, com o objetivo de impulsionar suas próprias candidaturas.

Ainda conforme ele, a pandemia e a guerra na Ucrânia são fatores importantes, “mas não podem ser utilizadas como desculpa interna”. “Há uma questão estrutural que vem se arrastando há muitos anos”, reforça. “É um pouco delicado uma paralisação acontecer neste momento. Precisamos estruturalmente ver o que é possível fazer. Temos que ter serenidade para que se possa buscar uma solução para o mercado”, opina.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), por sua vez, se manifestou, dizendo por meio de um comunicado técnico, que o mais recente aumento acarretará a necessidade de reajuste emergencial de, no mínimo, 3,1% no valor dos fretes. Neste contexto, o papel do governo federal em conversar com as entidades e buscar uma solução vem sendo elogiado. “Os caminhoneiros sempre tiveram força, e neste momento, o governo tem se mostrado solícito e aberto ao diálogo”, salienta Kieling.

Fonte: Correio do Povo

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