Enchentes causam destruição em diversos pontos de Lajeado

Lajeadenses experimentam o amargor dos estragos e perdas da quarta maior cheia da história do município.


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Seja pelo munícipe desolado com os estragos no Parque dos Dick, que ainda segue alagado por conta da segunda cheia do Rio Taquari neste mês de julho, ou pelos moradores das adjacências da Rua Assyria da Costa Mello, no Universitário, que viram suas casas levadas pelas águas, os lajeadenses experimentam o amargor dos estragos e perdas da quarta maior cheia da história do município, ocorrida entre os dias 8 e 9 de julho e com repique neste domingo e segunda-feira, dias 12 e 13 de julho.

Moradias no caminho para a cascalheira

Situadas no Bairro Universitário, nas adjacências da Rua Assyria da Costa Mello, que dá acesso à cascalheira na confluência dos rios Forqueta e Taquari, um total de sete casas foram destruídas pela enchente. Cinco delas foram levadas pelas águas, uma teve as paredes destruídas pela força da água, que também levou parte do telhado e danificou toda sua estrutura. Outra casa teve arrancado todo o segundo piso da residência junto com o telhado.

Fotos de Rafael Scheeren Grün e Pietra Darde

A contagem do número de casas destruídas e levadas pela enchente no local é apontada por Elmar Kraemer, de 56 anos. “Perdi minha casa de dois pisos, feita de alvenaria e madeira. Só ficaram os pilares dela”, contou Kraemer. Desolado, porém resiliente, ele é o retrato de uma cidade abalada, mas que mantém o espírito dos imigrantes que colonizaram o Vale do Taquari e fizeram da região uma das mais prósperas do país: garra. Mesmo tendo perdido sua casa, Kraemer empurrava um carinho de mão com restos de materiais, reunindo o que pode ser aproveitado para reconstrução das casas e o que precisa ser descartado. “Estou improvisado, morando na casa da minha namorada no Bairro São Cristóvão, revela ele, que ainda na quinta-feira (9), olhava perplexo para a força da correnteza na confluência dos rios Forqueta e Taquari. Naquele dia, seu olhar já revelava a apreensão de quem queria acreditar que sua casa permaneceria no local, mas com pouca esperança devido à força assustadora das águas. “Nunca vi coisa igual na minha vida”, disse Kraemer, ainda na semana passada.

Vizinha de Kraemer, a moradora Maria Juceli dos Santos, 49 anos, perdeu a parte de cima de sua casa de dois pisos, onde residia sua filha de 22 anos. “Perdi toda parte de cima, telhado, as aberturas de toda casa e os banheiros que ficavam aqui em baixo”, contou ela, que está morando com a filha junto com a mãe de Maria, em uma casa situada no mesmo bairro.

Fotos de Rafael Scheeren Grün e Pietra Darde

Rua Oswaldo Aranha

Paralela ao Rio Taquari, a Rua Oswaldo Aranha, no Centro de Lajeado, teve três pontos com desbarrancamentos. Um dos pontos fica situado junto a um dos belvederes mais frequentados pelos munícipes, situado em frente ao Restaurante Barranco, ponto de encontro e lazer de muitos lajeadenses. O belvedere está cedendo.

Um segundo trecho da Rua Oswaldo Aranha, compreendido entre as vias São Sebastião e Rio Branco, também segue interditado em função do desbarrancamento da calçada de passeio, nos fundos de um supermercado. Três árvores grandes foram cortadas na tarde desta segunda-feira para evitar que tombem arrancando parte do pavimento da rua. Por terem raízes grandes e estarem na iminência de tombar, oferecendo grande risco aos moradores de casas muito próximas, foi feito o corte das três paineiras da barranca do Rio Taquari em um dos pontos históricos onde a cidade começou a ser formada.

Um terceiro ponto da barranca da Rua Oswaldo Aranha também desbarrancou, levando parte da calçada de passeio. Ele fica situado entre a Rua Bento Gonçalves e o trecho de uma via, ainda sem denominação, que dá acesso ao parque que está em construção na beira do rio. O local foi sinalizado e interditado pela Prefeitura de Lajeado.

Rua Bento Rosa

Importante via do município, que dá acesso ao Centro de Lajeado e no outro sentido se constitui em parte do anel viário que circunda a área urbanizada da cidade, a Rua Bento Rosa sofreu pelo menos três grandes desbarrancamentos visíveis para quem transitar pela via nos pontos onde situa-se às margens do Rio Taquari. Os três pontos ficam situados nas proximidades da Associação Atlética Municipal, também afetada pela cheia com a queda do alambrado que cercava o local, permanecendo interditada entre as vias Professor Altmann e José Bonifácio, no Bairro Hidráulica. Nos trechos interditados, é preciso acessar a via por dentro do bairro.

Avenida Beira Rio

Outro desbarrancamento, situado na Avenida Beira Rio, perto do entroncamento com a Av. Henrique Stein Filho, também foi sinalizado e interditado pela Prefeitura de Lajeado. O local é ladeado pelo Rio Taquari e demandará, assim como nos pontos de desbarrancamento das vias Oswaldo Aranha e Bento Rosa, análises de engenheiros para a correta intervenção.

Fotos de Rafael Scheeren Grün e Pietra Darde

Parque dos Dick

Fotos de Rafael Scheeren Grün e Pietra Darde

Além da sujeira e da lama, o parque, que seguia alagado até as 17h desta segunda-feira, teve um de seus pontilhões sobre o Arroio Encantado arrancado, e a construção foi parar pouco adiante sobre o manancial. A limpeza do local e a reconstrução dos pontos destruídos será avaliada após o fim da cheia. AI/RC


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