Endividamento cresce, mas inadimplência permanece sob controle

Aos 74,0% o resultado superou o percentual de 72,0% do mês anterior e também foi maior que o de fevereiro do ano passado


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Foto: Dividas Comércio / Divulgação

O percentual de famílias endividadas no Rio Grande do Sul teve novo aumento em fevereiro, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos consumidores gaúchos (PEIC-RS) divulgada pela Fecomércio-RS nesta segunda-feira, dia 22. Aos 74,0% o resultado superou o percentual de 72,0% do mês anterior e também foi maior que o de fevereiro do ano passado. Destaque para o aumento do endividamento no grupo das famílias que tem renda mensal superior a dez salários mínimos que, até então, em 2021, tem sido o principal foco do aumento do percentual geral. Das famílias desse grupo, 68,2% afirmaram possuir dívidas. No mês anterior, esse percentual foi de 59,6%.

No caso das famílias com renda de até dez salários mínimos, o percentual ficou praticamente estável, tendo avançado na margem 0,5 p.p. e registrado 75,5%. Esse grupo foi o principal responsável pelo contínuo aumento do indicador geral durante o ano de 2020. No entanto, o fim do auxílio emergencial acabou por impactar mais no orçamento destas famílias, que naturalmente tendem a se endividar com mais cautela. O percentual de famílias que se considera muito endividada foi de 9,0% no mês (esse foi o menor resultado desde julho de 2019 – 8,1%). Dentre as famílias que auferem renda de até dez salários mínimos mensal, 9,4% declararam esta condição nesta edição da pesquisa. Já nas famílias de mais de dez salários mínimos de renda mensal esse percentual foi de apenas 7,3%.

Em fevereiro, os indicadores de inadimplência tiveram novos recuos marginais. O percentual de famílias com contas em atraso atingiu os 24,8%, menor valor desde julho de 2019 (24,7%). Já o percentual de famílias com contas em atraso e que não terão condições de quitar suas dívidas no próximo mês caiu para 8,7% (também menor valor desde junho de 2019 – 8,0%).

Segundo o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, a melhora dessas percepções pode ser atribuída ao conjunto de ações implementadas para a manutenção do emprego e da renda, e também a ação coordenada do sistema bancário que evitou que indivíduos com históricos positivos de adimplência virassem inadimplentes em virtude da crise econômica derivada da pandemia. Porém, a continuidade desse processo é permeada de incertezas. “O fim do auxílio emergencial deve impactar no nível de renda das famílias, que naturalmente ficam mais cautelosas ao consumir e se endividar. Além disso, o recrudescimento da pandemia e a morosidade da recuperação do mercado de trabalho, bem como o aumento da pressão inflacionária, são fatores que tendem a impactar a atividade econômica e elevar a restrição orçamentária dos indivíduos, elementos esses que podem trazer o percentual para patamares mais elevados nos próximos meses”, explicou Bohn.

O presidente explicou que os indicadores da PEIC mostram elevação no endividamento, mas com um cenário de inadimplência sob controle. “Vamos esperar para ver como evolui durante um ano em que o auxílio emergencial é reduzido em relação ao que tivemos em 2020 e o mercado de trabalho não consegue absorver um grande contingente de desocupados”, finalizou Bohn.

Fonte: Fecomércio RS

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