Engenharia do Exército sugere possibilidade de ponte provisória no interior de Estrela

Estrutura militar seria montada sobre a chamada ‘ponte da Tangará’, na Linha São José


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Vistoria realizada por oficiais do Exércio na ponte com fissuras em Estrela, na quarta-feira (Foto: Gabriela Hautrive)

Na quarta-feira (17), militares do 4º Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS), sediado em Cachoeira do Sul, estiveram no interior de Estrela para avaliar as condições estruturais da ponte de ferro localizada na estrada municipal General Osório, entre o Bairro Boa União e a Linha São José. A ponte foi bloqueada na tarde desta sexta-feira (19), pela Prefeitura de Estrela. Ela apresenta fissuras após receber maior fluxo de veículos desde sábado (13), quando um caminhão carregado com combustíveis tombou e explodiu sobre a ponte do Arroio Boa Vista, BR-386 em Estrela.

Em entrevista ao programa Redação no Ar desta sexta (19), o coronel Fábio Batista Bogoni, comandante do 4º Grupamento de Engenharia, descartou a possibilidade de uma ponte provisória ao lado da atual, no interior de Estrela, para comportar o fluxo de caminhões pesados. “Nesse ponto, na estrada General Osório sobre o Arroio Boa Vista, nós não teríamos condições de lançar uma ponte”, afirma.


ouça a entrevista

 


“O Exercito, a nossa engenharia não teria condições de lançar essa ponte especificamente neste ponto, uma vez que o vão é superior ao tamanho da ponte. O vão tem cerca de 70 metros, e essa ponte, para ser lançada com segurança, teria que ter um vão de aproximadamente de 50 metros, porque nós raciocinamos 12 metros de cabeceira para a ponte”, explica o coronel.

Coronel Fábio Batista Bogoni, comandante do 4º Grupamento de Engenharia (Foto: Exército Brasileiro)

Bogoni diz que os militares avaliam que seria possível o lançamento de uma ponte móvel em outro ponto, na conhecida como ‘ponte da Tangará’.

“Já num outro ponto que nós reconhecemos, que fica na estrada municipal Boa Vista sobre o Arroio Boa Vista, ali sim existe uma ponte semipermanente. Ela tem aproximadamente 35 metros. Ali nós teríamos condições de lançar uma LSB (logistic support bridge), mas também com uma certa restrição, porque existe ali uma curvatura antes dessa ponte. E a restrição ficaria justamente em relação a questão de veículos longos, como britem e caminhões trucados, uma vez que essa curva ficaria muito acentuada para que pudessem adentrar na ponte”, detalha.

“A construção dessa ponte, que por sinal ficaria sobre a ponte semipermanente, seria destina a veículos leves e alguns veículos pesados que não fossem longos. Essa ponte teria uma capacidade de até 60 toneladas com segurança. Mas tem outro fator restritivo, porque existem os painéis laterais dessa ponte. Então, a largura dela corresponderia a maios ou menos 4,2m de comprimento. Dessa forma, alguns equipamentos agrícolas, se tivessem que passar por essa ponte, teriam o acesso restringido”, comenta.

Conforme explica o comandante, essas pontes provisórias foram adquiridas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), que as repassou ao Exército Brasileiro. Duas delas estão no Comando Militar do Sul, um no Rio Grande do Sul, no Batalhão de Cachoeira do Sul, e outra em Santa Catarina. Essa do 4º Grupamento de Engenharia do CMS que seria instalada no interior de Estrela.

O Exército informou sobre essa possibilidade à Prefeitura de Estrela, a quem cabe a decisão de proceder com a instalação da ponte provisória. Os custos deste trabalho seriam discutidos entre o CMS e a administração municipal.

Como é uma ponte modelo Logistic Support Bridge (Foto: Exército Brasileiro)

Se a ponte for lançada onde há a conhecida como ‘ponte da Tangará’, uma equipe de militares teria que ficar permanentemente no local para fazer um controle do tráfego sobre ela. Conforme o coronel Fábio Batista Bogoni, o procedimento de mobilização, deslocamento e montagem demandaria de 5 a 7 dias.

Ponte da estrada municipal General Osório

O laudo produzido pela engenharia do Exército sobre a ponte de ferro da estrada municipal General Osório, entre o Bairro Boa União e a Linha São José, foi encaminhado ao Comando Militar do Sul. Depois da análise pela cúpula militar, o relatório pode ser solicitado e encaminhado para a Prefeitura de Estrela.

De acordo com a análise do 4º Grupamento de Engenharia, a ponte apresenta restrições para trafegabilidade. O coronel Fábio Batista Bogoni destaca que a reparação da ponte não compete ao Exército Brasileiro, ficando para o município ou Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).

Caso seja feito um convênio para a participação dos militares na obra, o comandante explica que o seria destacado o Batalhão Ferroviário. Porém, essa unidade está deslocada atualmente para o trabalho na BR-116 e na barragem da Arvorezinha, em Bagé, e está com a sua capacidade no limite.

Equipe de engenheiros fazem avaliações das condições da ponte (Foto: Gabriela Hautrive)

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

 

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