Ensinar ou aprender? Eis a questão

Muitas vezes queremos ensinar quem está apto a nos ensinar 


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Foto: Ilustrativa / Freepik

Certa vez, um engenheiro e um servente de pedreiro discutiam sobre um problema de infiltração. Em momento algum pretendo desqualificar um em função do outro, uma vez que ambas as profissões são honrosas e desafiadoras. Porém, o nível de estudos de ambos era incompatível. O servente, que tinha baixíssimo grau de escolaridade, afirmava, naquele momento, que a água deveria correr para baixo, enquanto o engenheiro dizia que a água deveria, sim, seguir o caimento, mas por um caminho que chegasse até um ponto de captação, evitando infiltração na parede, acúmulo de água no chão, corrosão da estrutura da casa. Havia notória diferença entre o conhecimento de um em relação ao outro, porém, a convicção de ambos era semelhante. O engenheiro querendo direcionar a água, enquanto o servente insistia em deixar o solo absorver, que era justamente o desafio.

Problemas semelhantes acontecem frequentemente em diversos aspectos de nossas vidas. Diferenças imensas em nível de conhecimento, mas muita semelhança no que tange a convicção. Se levarmos isso para um gráfico, perceberemos alguns perfis pessoais interessantes. Cito quatro: o primeiro é aquele que tem muita confiança e pouca competência. O segundo perfil é aquele que tem pouca confiança e pouca competência.

Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind (Foto: Rodrigo Gallas)

O terceiro é aquele que tem baixa confiança e alta competência e o quarto é aquele que tem alta confiança e alta competência. O primeiro acha que sabe, diz que sabe, mas não entrega resultado algum. É aquele que podemos afirmar que “não se enxerga”. Se acha “o cara”, transparece ser produtivo, mas é igual “tosa de porco”: muito grito e pouca lã.

O segundo perfil é aquele que precisa ser preparado e ensinado, pois o problema dele não é, apenas, competência, mas, também, autoconfiança. Precisa de um empurrãozinho para sair desse quadrante. O terceiro é aquele que resolve as coisas, que produz, mas que normalmente não se sente preparado o suficiente para tal. O melhor perfil é o que se encontra no quarto quadrante, pois é a pessoa que sabe muito e que tem autoconfiança para usar aquilo que sabe. Normalmente ele não precisa dizer que sabe: ele mostra.

Se eu pudesse dar uma dica para você que lidera equipes, recomendaria que você avaliasse as pessoas do seu time gerando indicadores que apontem estes quatro perfis. Você vai se surpreender. E se você não lidera equipe, mas busca se desenvolver, observe a sua conduta diante dos outros. Quando for abordar qualquer assunto, perceba se sua autoconfiança excessiva não virou prepotência. Perceba se você precisa aprender ou se deve ensinar. Saber como se comportar diante de situações como essa é fundamental para que você aprenda com quem sabe ou ensine quando houver interesse. Caso contrário, estará tentando ensinar quem deveria te ensinar. Aprender sempre é, sem dúvidas, um grande diferencial. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

 

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