Entenda por que a Nigéria não confirma a morte do líder do Boko Haram, um dos terroristas mais procurados do mundo

Abubakar Shekau, líder do Boko Haram, era o homem mais procurado da África. Ele teria morrido ou ficado gravemente ferido em um confronto entre o grupo dele e uma facção dissidente, mas o exército da Nigéria não confirmou


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Abubakar Shekau em imagem de vídeo de 2018 (Foto: Divulgação Boko Haram/Sahara Reporters Via Reuters)

Entre 2009 e 2016, a Nigéria anunciou quatro vezes que o líder do grupo terrorista Boko Haram, Abubakar Shekau, havia morrido. O governo do país errou todas essas vezes —Shekau reapareceu em vídeos publicados na internet.

Dessa vez, os relatos foram publicados na mídia nigeriana. O exército não confirmou, mas pessoas que trabalham nos serviços de inteligência corroboram a história, desde que não tenham seus nomes divulgados.

O grupo dele entrou em confrontos com um rival, o Estado Islâmico da África Ocidental. Em um desses combates, Shekau e seus homens foram cercados. Ao ver que seria capturado, ele teria tentado cometer suicídio. Na mídia nigeriana, se diz que ele ficou gravemente ferido ou que morreu.

Uma pessoa que trabalha serviço de inteligência da Nigéria e que não quer ter sua identidade revelada afirmou que para evitar ser capturado, Shekau disparou uma bala no peito. A bala teria atravessado seu ombro. Alguns de seus combatentes conseguiram escapar e levá-lo com eles, segundo essa pessoa.

Outra fonte da inteligência que também não quer ser identificada informou que Abubakar Shekau ficou gravemente ferido depois de detonar explosivos na casa onde estava escondido com seus capangas.

Violência em quatro países
Shekau é o principal líder do Boko Haram desde 2009. Inicialmente, o grupo agia no nordeste da Nigéria. Depois, a violência se espalhou para os vizinhos Níger, Chade e Camarões.

O grupo terrorista matou mais de 30 mil pessoas e obrigou outras 2 milhões a deixarem suas casas.

Em 2014, o Boko Haram sequestrou quase 300 adolescentes de uma escola feminina em Chibok. Na ocasião, houve uma campanha global contra o sequestro. Shekau disse que as meninas se converteram ao islamismo, ou que seriam vendidas como escravas. Na ocasião, ele se tornou o criminoso mais procurado na África —havia uma recompensa de US$ 7 milhões por ele.

Confrontos com outros grupos terroristas

No ano de 2015, Shekau enfrentou uma facção dissidente do Boko Haram. Depois disso, ele vinculou o grupo dele ao Estado Islâmico.

A aliança durou pouco tempo: em 2016, o Estado Islâmico tentou tirar Shekau da liderança do grupo. Não deu certo. Surgiu então uma nova facção do Boko Haram, o Estado Islâmico da Província do Oeste da África (conhecido pela sigla em inglês Iswap).

Ambos os grupos lutam contra o exército nigeriano e entre si pelo controle do território. Nos últimos anos, o Iswap vem ganhando força e executando ataques mais sofisticados.

Os objetivos do Iswap são criar um Estado islâmico no norte da Nigéria e acabar com “as influências ocidentais”. As táticas desse grupo, no entanto, não são as mesmas daquelas do Boko Haram. O Iswap centra seus esforços na luta contra o exército.

Em 2018, o Iswap afirmou que Shekau era um tumor que precisava ser removido.

Se a morte de Shekau for confirmada, o Iswap deverá absorver combatentes que estavam no Boko Haram e, assim, se tornar uma ameaça ainda maior ao exército da Nigéria.

Fonte: G1

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