Entenda por que o mercado teme a mudança na política de preços da Petrobras

Com troca de comando na estatal, Bolsonaro quer conter o efeito negativo da escalada no preço dos combustíveis. Porém, pode ser vítima de um imperativo da realidade que não falha


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A demissão José Mauro Ferreira Coelho da presidência da Petrobras após ficar 40 dias no cargo elevou o temor dos mercados da possibilidade da intervenção na estatal e uma possível modificação na política de preços dos combustíveis, hoje alinhada com o valor praticado internacionalmente. Esta foi a terceira troca de comando da empresa no governo Bolsonaro, o que indica a preocupação do presidente com o efeito eleitoral da escalada dos combustíveis.

Engenheiro, presidente do IFL Brasília e assessor parlamentar, Douglas Sandri analisa os fatos políticos de Brasília na programação da Rádio Independente (Foto: Divulgação)

Se o congelamento realmente ocorrer, correríamos o risco de repetir os erros fatais do governo Dilma Rousseff. Com o perfil de “gerentona” e de “entendida” em minas e energia, ela meteu a mão na política de preços da Petrobras. E essa intervenção, somada à roubalheira praticada pelo PT e seus aliados, levou a empresa à beira da ruína. Isso ocorre porque, quando o governo se intromete e quer reger os mercados, a conta estoura no bolso do lado mais fraco: os cidadãos, pagadores de impostos. É um imperativo da realidade que não falha.

Caso os preços sejam segurados artificialmente na canetada, haverá uma pressão imensa sobre a empresa que, quando estourar, ocasionará numa escalada nos preços dos combustíveis e respingará em mais inflação. Será altamente prejudicial ao país, levando a crise econômica a novos patamares.

No lugar de Ferreira Coelho, o governo indicou Caio Paes de Andrade, um nome de confiança do ministro da Economia, Paulo Guedes, de quem foi secretário de Desburocratização. Ele também é próximo ao ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, desde a transição do governo.

Caio Paes de Andrade (Foto: Washington Costa / Ministério da Economia)

Paes de Andrade é formado em Comunicação Social, pós-graduado em Administração e Gestão pela Harvard University e Mestre em Administração de Empresas pela Duke University. Porém, não tem experiência no setor de energia – óleo, gás e refino –, onde a Petrobras. Para se tornar o quarto executivo à frente da empresa no governo Bolsonaro, terá que vencer a resistência e os questionamentos de acionistas minoritários da estatal.

A sua falta de experiência também pode enfrentar questionamentos judiciais e esbarrar na Lei das Estatais, que faz essa exigência no currículo. Porém, o executivo tem a seu favor um precedente próximo: o general Joaquim Silva e Luna, que presidiu a Petrobras de abril de 2021 a março deste ano, também não tinha atuado no setor de petróleo e possuía curta experiência no setor de energia.

Código de Defesa do Pagador de Impostos

O Código de Defesa do Pagador de Impostos teve sua urgência aprovada nesta terça-feira (24), na Câmara dos Deputados. A proposta é de autoria do deputado federal Felipe Rigoni (União-ES). O objetivo é impedir abusos cometidos contra o contribuinte, como por exemplo, o cancelamento de CNPJ sem defesa prévia. Hoje há muita preocupação com a falta de limite e de respeito da Receita com os pagadores de impostos.

Outra inovação do projeto é a instituição de um marco legal para instituição de taxas e impostos. Atualmente, não há nenhum requisito objetivo para a criação de impostos e taxas. Com o código, será preciso apresentar estudos prévios da atividade que o Estado prestará ao contribuinte.

Tucanos não se entendem e partido amarga perda de relevância política (Foto: Divulgação)

Doria sai, e Leite tenta voltar

A saída do ex-governador de São Paulo João Doria da corrida presidencial pelo PSDB deflagra dois movimentos. Um deles é abrir caminho para o MDB indicar a senadora Simone Tebet, do Mato Grosso do Sul, à presidência com o apoio do PSDB e do Cidadania. Por outro lado, reabilita o ex-governador gaúcho Eduardo Leite em seu sonho de chegar ao Planalto neste ano. O tucano é apoiado por uma ala significativa do PSDB que não quer embarcar como linha auxiliar no projeto de Tebet.

Em Brasília, há quem diga que Leite seria o único capaz de furar a polarização entre Lula e Bolsonaro. Mesmo tendo ganhado as prévias do partido, Doria teria alta rejeição do eleitorado — próxima à faixa dos 60%, segundo as pesquisas —, e a senadora é desconhecida e pode não contar com caciques do MDB em sua campanha.

Segundo consta, Leite não estaria diretamente envolvido nas articulações para voltar ao páreo como candidato do PSDB. Essa tarefa seria executada por entusiastas de seu nome porque se ele fizesse essa frente, poderia se queimar novamente.

Texto por Douglas Sandri, graduado em Engenharia Elétrica, é presidente do Instituto de Formação de Líderes (IFL) de Brasília e assessor parlamentar. Todas as quartas-feiras, participa do quadro “Direto de Brasília”


1 comentário

  1. Não adianta trocar o presidente da Petrobras, tem que continuar fortalecendo a empresa como já vinha sendo realizado até 2014. A Petrobras tem que ser do poço ao posto, ou seja desde a extração do petróleo até a distribuição dos combustíveis. Privatizar é entregar o segundo maior patrimônio do país, pois o primeiro é a amazônia. O preço dos combustíveis está caro pois a partir de 2016 começou-se a vender refinarias e a BR distribuidora, fazendo com que a Petrobras tenha que mandar o petróleo para fora do país e importar os derivados a preço de dólar. A Petrobras tbm tinha fábricas de fertilizantes que foram fechadas por esse governo que está aí e agora depende de fertilizantes vindo de fora do país. Pense nisso antes de continuar apoiando esse golpe contra o país.

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