Entenda porque a cultura é maior do que a economia

A cultura é o grande diferencial nas organizações, mas não apenas nelas


0
Gustavo Bozetti (Foto: Eduarda Lima)

Certa vez promovemos um evento corporativo em um dos melhores restaurantes do país. Durante a fala de um dos nossos oradores, o gerente dos garçons me pediu para anunciar a sobremesa. Comentei que o anúncio atrapalharia a fala do orador, mas ele insistiu dizendo que só poderia distribuir a sobremesa após o anúncio. Ao encontrarmos uma brecha na fala do orador, o gerente pegou uma taça e uma faca, bateu três vezes com a faca na taça e anunciou que serviriam, naquele momento, “o melhor pudim do mundo”. Na hora pensei: duvido ser melhor do que o pudim da minha sogra. O gerente deu um passo para o lado e os outros garçons passaram distribuindo os pudins, sendo um deles para mim. Ao olhar para aquele pudim, pensei: mais bonito e decorado do que o da minha sogra ele está, mas duvido ser melhor. Ao fatiar o pudim, percebi uma textura diferente. Pensei: textura diferente, ok, mas duvido que o gosto supera o pudim da minha sogra. Ao por a fatia na boca, uma explosão de sabor fez a experiência ser única. A entrega havia superado a promessa.

Algumas semanas se passaram e promovemos outro evento corporativo no mesmo restaurante, porém em outro horário e em outro ambiente. Enquanto um de nossos oradores falava, outro gerente dos garçons me chamou e disse que não podia servir a sobremesa sem, antes, anunciar. O resto da história, você já sabe. Novamente, a entrega superou a promessa.

Em comparação a este caso, outro dia fui até um restaurante e a pessoa que nos atendia no caixa, após somar o valor e efetuar a cobrança, fez duas perguntas. A primeira, se havíamos encontrado o que procurávamos no buffet. A segunda, se o garçom havia nos atendido bem. Respondi que sim em ambas, mas perguntei se aquelas duas perguntas eram coisa dele ou se os outros atendentes também as faziam. O rapaz respondeu que era coisa dele.

O que pretendo concluir com isso, é a importância de mantermos uma cultura de alta performance. A cultura é o conjunto de hábitos, rotinas, protocolos que as pessoas que estão inseridas executam. A cultura é o grande diferencial nas organizações, mas não apenas nelas. A cultura é o que faz uma família prosperar através dos bons hábitos vivenciados. Cidades culturalmente fortes são cidades onde as pessoas sentem vontade de estar e investir. Em contrapartida, cidades onde as pessoas falam mal umas das outras e menosprezam seus conterrâneos, são cidades que repelem as riquezas. Por exemplo: se ficamos falando que nossa cidade não é boa, que na nossa cidade as coisas não acontecem, que a cidade não anda, as pessoas que decidem investir em imóveis, por exemplo, procurarão uma cidade próxima para investir. O rancho do início do mês é feito na cidade vizinha. O mesmo serve para o nosso estado e para a nossa nação. Voltando ao exemplo dos restaurantes citados acima, qual é o segredo do primeiro restaurante? Será que é a receita do pudim? Ou será que é a entrega dos garçons? Seria a mão da cozinheira ou a ornamentação da fatia de pudim no pires? O segredo é o conjunto das boas práticas. Desde a disseminação da melhor receita, passando pela preparação da cozinheira e da ornamentação da fatia no pires, chegando até a promessa do garçom e o desfrutar do cliente. No segundo restaurante, as boas práticas não são disseminadas e a experiência promovida por um bom profissional não foi compartilhada entre seus pares. O mesmo exemplo pode ser levado para diversos setores da nossa sociedade. Precisamos perder o vício de falar mal do nosso país por causa de políticos corruptos que difamam nossa pátria e nossa nação. Temos que conduzir ao poder, pessoas que nos representem e que, além de falar bem de nós, façam o melhor por nós. O mesmo deve acontecer nas nossas empresas, famílias e grupo de amigos.

Este breve artigo carrega o que entendemos ser um grande segredo do sucesso empresarial, que é a construção de uma cultura forte. Este é o tema central do nosso programa MasterMind Metagerenciamento. Enquanto muitas empresas são reféns de funcionários talentosos ou vítimas de colaboradores incapazes, outras formam seus próprios talentos internamente, fazendo com que a entrega seja surpreendente e disseminando a cultura pelos quatro cantos da operação. Por isso, acreditamos que a cultura é maior do que a economia. Uma cultura forte é responsável por fortalecer as pessoas que chegam. Em sentido oposto, uma cultura frágil sempre será refém de algumas pessoas fortes para que consiga prosperar. E você? Faz parte de uma cultura próspera? Pense nisso. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Texto por Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui