Vivemos em uma época ditada pelo imediatismo. E isso tem gerado angústia, principalmente nos mais jovens. Dispostos a darem aquilo que entendem ser o melhor de si apressam-se em tudo. Não basta estar empregado, é preciso ter um cargo melhor; não basta estar na faculdade, é preciso se formar em menos tempo; não basta ter um carro que ande, é preciso ter um mais novo…e por aí vai. A crítica não está em desejar coisas, mas na velocidade com que se quer possuí-las. Esquecem que a vida é processo. É trabalhar duro. É estudar exaustivamente. É adaptar-se. É resistir. É esperar. É colher.

Nesse sentimento de insuficiência diante do mundo, as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos passaram a ser pouco. As metas estão sendo concluídas cada vez mais cedo. E como admiramos quem consegue! Por outro lado, sutilezas estão sendo menosprezadas. Pessoas importantes, vivências e sentimentos também. A vida passa. Está tudo desequilibrado. Perdidos em uma rota criada a partir de uma sociedade que vende modelos de sucesso, muitos jovens não alcançam mais o caminho. A intervenção profissional se faz necessária. Vem a medicação, a pausa e o realinhamento.

Tenho pensado muito sobre isso. E conversado também: em casa, com amigos, na faculdade. Dessas reflexões guardo uma com carinho: a de que é preciso “plantar a vida”. E esse será nosso compromisso eterno. Uma professora minha disse que a partir dos 30 as sementes começam a germinar. Para isso, no entanto, você vai ter que estudar muito, ser um ótimo profissional, ganhar menos do que esperava, andar no ônibus lotado e dormir o suficiente para se manter acordado no dia seguinte.

Não acredite na falácia de que a sua geração (a minha também, nos meus 25) nasceu pronta e merecedora de tudo. O imediatismo não faz bem. Só nos atrapalha e adoece. Vamos nos preocupar com o plantio? Com a certeza de que demos o nosso melhor, a colheita não tardará.

Por Camila Pires

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