Escassa, gasolina da Venezuela é a mais cara do mundo

Capacidade de refino está afetada e sanções complicam importações, levando população a apelar ao mercado negro.


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Gasolina é racionada e limitada para uso dos serviços essenciais na Venezuela (Foto: REUTERS/Manaure Quintero)

Os venezuelanos disseram ter pagado mais de US$ 2 por litro de gasolina (R$ 11,19) na semana passada em meio à escassez de combustível, uma das taxas mais altas do mundo e uma reversão dramática para um país da Opep que se vangloriava de ter o combustível mais barato do planeta.

Graças aos subsídios do ex-presidente socialista Hugo Chávez – morto em 2013 – e seu sucessor e protegido, Nicolás Maduro, a gasolina vendida pela petrolífera estatal PDVSA – que detém o monopólio legal da venda de combustíveis – é basicamente gratuita na Venezuela.

Os motoristas oferecem aos trabalhadores dos postos de gasolina lanches ou algumas centenas de bolívares – menos de 10 centavos de dólar – em vez de pagamento.

Mas a rede de refino de 1,3 milhão de barris por dia do país quase entrou em colapso, e as sanções dos Estados Unidos destinadas a derrubar Maduro complicaram as importações de combustíveis, levando os venezuelanos a esperar horas nos postos de gasolina ou a recorrer ao caro mercado negro.

Octavio Salom, de 53 anos, disse que ele e outros pacientes renais na cidade de Puerto Ordaz, no leste do país, compraram 20 litros de gasolina a US$ 2 o litro para os enfermeiros que fazem o tratamento de diálise pegarem um táxi até a clínica.

Na cidade de Maracaibo, os negociantes do mercado negro estão oferecendo 20 litros de gasolina por US$ 50 (279,68), de acordo com uma testemunha. Em algumas áreas, os venezuelanos relataram pagar até US$ 4 por litro (R$ 22,37).

Isso está acima dos preços das bombas em Hong Kong, que segundo pesquisas tem a gasolina mais cara do mundo. A gasolina nos postos Royal Dutch Shell na cidade era vendida por US$ 2,15 por litro na quinta-feira, mostrou site da empresa.

O governo da Venezuela está tentando reparar refinarias e na semana passada recebeu componentes da mistura usada na produção de gasolina, material de refino do Irã, além de técnicos e peças de reposição para ajudar a reparar uma das maiores refinarias do mundo.

O aumento do preço da gasolina na Venezuela ocorre no momento em que os preços nas bombas estão caindo em todo o mundo em razão da queda da demanda em meio ao surto de coronavírus. Nos Estados Unidos, os preços médios eram de US$ 0,48 por litro na semana encerrada em 20 de abril, de acordo com a Energy Information Administration.

A Venezuela está ficando sem combustível e seus estoques limitados de gasolina são racionados para militares e fornecedores de comida e remédios. As sanções interromperam abruptamente suprimentos importantes e a população sofre com hiperinflação, escassez de alimentos e, agora, o coronavírus.

“Os enfermeiros disseram que se não pudéssemos garantir o transporte, eles não poderiam fazer diálise”, disse Salom.

A PDVSA não respondeu ao pedido de comentário.

Fonte: Estadão 

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