Escavações revelam canibalismo azteca durante invasão espanhola

Investigações arqueológicas revelaram que centenas de invasores espanhóis capturados em 1520 foram sacrificados e devorados pelos indígenas, o que motivou um massacre.


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Foto: Agência Ansa

Centenas de invasores espanhóis capturados na localidade azteca de Tecoaque, em 1520, teriam sido sacrificados e devorados pelos indígenas, motivando um posterior massacre ordenado pelo “conquistador” Hernan Cortés, segundo novas investigações arqueológicas.

Um estudo publicado na segunda-feira pelo Instituto Nacional de Antropologia e História do México, resultado de vários anos de escavações na localidade de Tecoaque, indica que em 1520 os habitantes locais aprisionaram um destacamento espanhol composto por 15 homens espanhóis, 50 mulheres e 10 crianças, e ainda 45 soldados rasos, entre os quais cubanos de ascendência africana ou indígena, e 350 aliados indígenas.

Esse grupo teria sido aprisionado e sacrificado no espaço de poucos meses. As escavações revelaram incisões nos ossos que indicam que a carne foi cortada. As investigações indicam que os indígenas também devoraram os cavalos dos invasores, mas, curiosamente, não comeram os suínos, animal que desconheciam, e que os espanhóis transportavam para alimentação.

Os crânios dos homens e mulheres massacrados pelos indígenas foram colocados em exposição e a análise das ossadas revelou que algumas vítimas foram cortadas ao meio e outras desmembradas, incluindo crianças, aparentemente em sacrifício religioso. Um homem espanhol foi desmembrado e incinerado, replicando o mítico destino dos deuses aztecas, em particular o do “Quinto Sol”.

O destacamento, que seguia para a capital azteca, Tenochtitlan, foi enviado de Cuba depois de um primeiro, liderado pelo comandante das forças espanholas, Hernan Cortés, em 1519.

Em 1521, quando estava a combater uma sublevação próximo do que é hoje a Cidade do México, Cortes tomou conhecimento do sucedido e ordenou a Gonzalo de Sandoval que destruísse a localidade azteca como retaliação.

De acordo com o arqueólogo Enrique Martinez Vargas, os habitantes de Tecoaque souberam da aproximação das forças espanholas e esconderam em poços rasos os ossos das vítimas, alguns dos quais tinham sido usados para fazer troféus.

Vencida pelos invasores a resistência dos guerreiros aztecas, restaram as mulheres e crianças, que foram as principais vítimas do massacre que se seguiu, segundo o Instituto, que identificou as ossadas de 12 mulheres que estariam a proteger 10 crianças, com idades entre os 5 e 6 anos. “Mulheres e crianças que estavam abrigadas dentro de habitações foram mutiladas, conforme evidenciado pela descoberta de incisões nos ossos. Os templos foram queimados e as estátuas decapitadas”, refere o Instituto no estudo esta terça-feira publicado.

Cortés viria a arrasar a capital azteca mais tarde nesse mesmo ano, concluindo a conquista da nação indígena sul-americana.

Para marcar os 500 anos da Conquista espanhola, o México realiza ao longo de 2021 uma série de conferências acadêmicas e lançamento de estudos científicos.

Fonte: Agência Lusa

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