Escutemos o que as crianças têm a nos ensinar

Quando estamos preenchidos mais de sentimentos amorosos que de hostilidade, isso aparece claramente em nossas ações e reações


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Foto: Freepik

Recentemente, presenciei uma cena que achei interessante compartilhar aqui neste espaço. Era uma festinha de aniversário, e um grupo de meninas, na faixa etária de 4 a 6 anos, estavam reunidas ao redor de uma mesa, desenhando. Fiquei por perto, ouvindo o papo. Uma delas, que não conhecia ninguém no grupo, resolveu se juntar às demais. Tendo sido avisada pela mãe que em alguns minutos iriam embora, resolveu comunicar às outras, talvez numa tentativa de contornar a frustração de ter que deixar o grupo antes do que gostaria. Ela disse: “meninas, daqui a pouco vou ter que ir embora, mas um outro dia a gente pode desenhar juntas de novo, num outro aniversário”.

Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga (Foto: Divulgação)

A maiorzinha da turma reagiu: “mas tu nem é nossa amiga!”. Imediatamente, uma terceira, sentindo o clima, tentou fazer a mediação e emendou: “mas ela pode ser!” A mais velha então resolveu se explicar dizendo “é que não posso falar com estranhos, o estranho pode ser um ladrão”, justificativa que não foi bem engolida pela mediadora, que mais uma vez tentou melhorar o clima: “mas ela não é uma estranha, ela tá aqui na festa”.

A recém-chegada, com a sabedoria que seus quatro anos de vida permitiram, parece ter compreendido o drama de uma maneira bem mais simples do que a gente imaginaria. E de uma maneira muito simples, resolveu a questão: “oi, prazer, meu nome é Lívia!”.

A conversa entre as meninas permite inúmeras reflexões, mas aquela que escolhi para este espaço ressoou como uma espécie de lição pra mim. Quando estamos preenchidos mais de sentimentos amorosos que de hostilidade, isso aparece claramente em nossas ações e reações, e contribui para desfechos favoráveis quando um clima ameaçador se apresenta. Afinal, se o problema para a menina mais velha era falar com uma desconhecida, bastava que a novata se apresentasse e tudo se resolveria.

Escutemos as crianças, elas têm muito a nos ensinar!

Texto por Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga

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