Esperando boa safra em 21/22, mas?

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez


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Foto: Divulgação

Os primeiros anúncios de safra indicam boas safras. A Emater anunciou os dados que acompanha há muitos anos e levando como referência os últimos 10 anos. Tudo indica que o milho vai ser o destaque, impulsionados pelos bons preços e a demanda crescente da suinocultura, avicultura e gado leiteiro. Pode aumentar 40% na produção passando de 6 milhões de toneladas e área maior que 834 mil hectares. Mesmo assim vamos precisar trazer milho de fora do estado. A silagem também deve passar de 13 milhões de toneladas aumentando cerca de 30%.

A soja deve aumentar 3,62% passando de 6 milhões de hectares com médias mais baixas, levando em consideração à safra passada que foi muito prejudicada pela seca. Fica aí a expectativa da boa safra que se avizinha.

Quanto ao arroz deve diminuir um pouco a área ficando ao redor de 943 mil hectares e produção 7,5 milhões de toneladas. E o feijão deve reduzir um pouco a área, mas, a produção deve ser maior do que ano passado devido também as perdas da seca.

Somando toda as produções de grãos vamos passar de 33 milhões de toneladas no estado. Para movimentar todo o setor haja máquinas, adubos, corretivos, combustíveis, movimentação de veículos, estradas, armazenagem, logística em fim os insumos para produzir tudo isto. E precisa ser considerado o custo de produção mais alto.

Os municípios produtores passam a ter uma vida agitada com circulação de recursos envolvendo hotéis, bancos, restaurantes, oficinas, venda de peças, e novas máquinas. Só quem vive isto sabe como funciona.

Como sempre tem um, “mas”, dependemos muito das condições climáticas. O sistema de irrigação ainda é pequeno no estado com exceção do arroz e olericultura. E continuamos dependemos de reservas de água da chuva para encher nossos açudes. Os rios e poços artesianos, lógico ficam nesta dependência também. Tem sido um setor que tem avançado lentamente. Há programas governamentais ainda pouco demandados.

Foto: Divulgação

As previsões climáticas falam no “La Niña” e se isto realmente acontecer teremos um ano semelhante ao da safra passada. Em algumas localidades teremos falta de chuva. Os meses mais críticos são novembro e dezembro. Ouve anos que faltou chuva entre janeiro e fevereiro. Não que não chova, acontece pancadas distanciadas uma da outra com temperaturas elevadas e ainda para agravar com ventos quentes. Isto aumenta o que é chamado de evapotranspiração. Chove e logo a água evapora não chega a ficar mais tempo armazenada no solo e disponíveis para as plantas. E isto piora em solos descobertos, uma das grandes vantagens do plantio direto. E é preciso levar em consideração o Zoneamento Agrícola e a escolha do cultivar/variedade certa para aproveitar a disponibilidade de água.

Foto: Divulgação

Quando estudava na Faculdade de Agronomia na década de 70 os meteorologistas e profissionais ligado as áreas relacionadas com o meio ambiente já falavam do aquecimento e efeito do gás carbono, desmatamento, erosão do solo, uso do carvão, do veneno etc. Os encontros científicos da época onde o conhecimento estava mais adiantado já alertavam isto. Não davam muito interesse nos meios de comunicação a não ser quando um grupo de pessoas ligados à área ambiental fazia suas ações. Foi o início mais forte onde entre tantos se destacaram: José Lutzenberger, Augusto Carneiro, Celso Marques, Giselda Castro, Hilda Zimmermann, Magda Renner e outros. E o pioneiro foi Henrique Luiz Rossler,( 16-11-1896 falecido 14-11-1963) contador da “Delegacia Estadual de Portos” que já atuava criticando a caça e pesca, desmatamento e ainda a poluição dos curtumes. A FEPAM- Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Rossler, este é seu nome verdadeiro.

Implantada em 4 de dezembro de 1991 oriunda da Coordenadoria do Controle de Equilíbrio Ecológico do Rio Grande do Sul, criada na década de 70, no antigo Departamento do Meio Ambiente, hoje Secretaria da Saúde.

Os viventes da época que estão acompanhando agora só têm a dizer; “Eles tinham razão”. E ainda vai piorar se não tomar as atitudes que são preconizadas atualmente. Aguardem.

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