Espetaculosa, CPI foge do objeto de investigação e vira palco para narrativas contra e a favor do governo

Presidente Jair Bolsonaro redobra apoio a Pazuello em momento que o general pode ser punido pelo Exército


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Foto: Leopoldo Silva / Agência Senado

Brasília rende muitos assuntos e embates políticos, e poucas reformas. Esse tem sido o cenário na capital federal, movimentada em função da CPI da Covid-19 no Senado. Nesta terça-feira (1º), a comissão ouviu como testemunha a médica oncologista Nise Yamaguchi. Foi uma sessão tumultuada, cheia de confusões. Uma assessora da doutora chegou a ser retirada do ambiente ao cobrar mais respeito dos senadores por Nise.


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Em sua fala, a médica defendeu o tratamento precoce com cloroquina e hidroxicloroquina. É uma postura coerente com o que ela fala desde o começo da pandemia. Essa defesa causa grande polêmica e é contestada por epidemiologistas. Ainda mais em uma CPI controlada pela oposição, que tenta apontar a responsabilidade do governo pelas falhas na condução da pandemia.

Engenheiro, presidente do IFL Brasília e assessor parlamentar, Douglas Sandri analisa os fatos políticos de Brasília na programação da Rádio Independente (Foto: Divulgação)

No depoimento de Nise, os senadores foram para cima para comprovar a existência de um suposto gabinete paralelo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro em ações contra a Covid-19, como narrado na mesma CPI pelo diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, e pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

O ponto alto do dia foram as perguntas do senador Otto Alencar (PSD-BA). Também médico, ele questionou a doutora sobre a diferença entre protozoário e vírus. São questões que pouco tem a ver com o objeto inicial da comissão de inquérito, que servem apenas a narrativas alimentadas e difundidas pelos convertidos de um lado e de outro. O que leva a uma reflexão: espetaculosa, a CPI foge do seu foco original e se torna palco para narrativas contra e a favor do governo. Uma pena que se perda uma legítima oportunidade para esclarecer pontos sérios de políticas públicas adotadas em meio à pandemia.

Pazuello no Planalto

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello ganhou um cargo no Palácio do Planalto. O general foi nomeado na Secretaria de Assuntos Estratégicos, órgão vinculado à Presidência da República. Na prática, ao instalar Pazuello novamente em um posto chave, o presidente Jair Bolsonaro redobra o apoio ao oficial em um momento em que Pazuello está na mira do Alto Comando do Exército.

Pazuello deve ser punido por ter infringido o regimento militar e discursado em um carro de som, ao lado do presidente. O regramento das Forças Armadas veda manifestações políticas de militares da ativa.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP

Copa América

A realização da Copa América no Brasil também foi politizada. Por um lado, há quem aponte a falta de coerência de quem foi às rua no domingo protestar, causando aglomerações, e no dia seguinte critica o evento esportivo no Brasil por…causar aglomeração. Essa mesma linha de pensamento grita contra a competição da Conmebol, mas não rebate os jogos do Brasileirão, da Libertadores, Sul-Americana e estaduais.

Por outro lado, o grupo político que compõe e dá sustentação ao governo atual é o mesmo que criticava Lula lá atrás, quando o petista trouxe a Copa do Mundo e as Olimpíadas para o país. Porém, é de se lembrar pelo menos que agora as estruturas já estão prontas.

Enquanto isso…

Nada das reformas. Já imaginou toda essa energia despendida em discutir as reformas que o Brasil precisa?

Douglas Sandri é engenheiro, presidente do IFL Brasília e assessor parlamentar

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