Estabelecer limites é essencial para manter relações saudáveis

Como o outro sabe que seu comportamento me chateia se não sinalizo isso para ele?


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Foto: Dirce Becker Delwing

Já faz mais de um ano que ganhei uma planta de presente de um amigo querido. Teve um dia em que ele apareceu na minha casa com um pé de ora-pro-nóbis. Foi logo dizendo que comer as folhas dessa planta faz um bem e tanto para a saúde, especialmente porque são ricas em proteína e ácido fólico. Também disse que trata-se de uma trepadeira que vai se esparramando e grudando nas superfícies, por isso, seria melhor fazer o plantio direto no solo, talvez perto de uma cerca. Acontece que acabei não seguindo a recomendação e deixei a planta no vaso. Ela foi crescendo e criando ramos. O jardineiro sugeriu que a gente podasse os galhos para evitar o alastramento pelo jardim. Achei por bem deixar mais algum tempo. Semana após semana, fui ajeitando os galhos, contornando eles ao redor do tronco de duas palmeiras que tenho no pátio. Nos últimos dias, a situação chegou no limite.


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A frente da casa está quase tomada pela planta. Tenho pena de fazer a poda. Olho para os galhos e vejo saúde neles. Meu amigo chegou a fazer o cálculo de quantas folhas eu deveria comer para compensar a proteína que está num bife. Seria uma alternativa para quem não consome carne. Conto isso para que você compreenda a dificuldade em que me encontro. Preciso impor limites, demarcar território, ajeitar o espaço para onde os ramos podem se alastrar. E isso exige atitude, ou até certa indisposição com a minha ora-pro-nóbis.

Acredito que situação semelhante pode ocorrer nas relações que estabelecemos com as pessoas do nosso convívio. Quantas vezes, percebemos que o outro está passando da medida, ou que é um sujeito sem noção, ou um folgado, contudo, temos dificuldade para sinalizar o nosso descontentamento. Não falamos, não reclamamos e, ainda, disfarçamos a nossa insatisfação. Isso acaba sendo um motivo de sofrimento e frustração, que poderia ser amenizado ou até evitado com uma boa conversa. A questão é que, feito minha planta ora-pro-nóbis, as pessoas vão avançando conforme vamos dando espaço para que avancem. Como o outro sabe que seu comportamento me chateia se não sinalizo isso para ele?

Ora-pro-nóbis – planta que oferece minerais como manganês, magnésio, ferro, cálcio, além de vitamina C e fibras”, enumera a pesquisadora Larissa Wainstein Silva, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina. Um arranjo protetor da imunidade. Outros trabalhos revelam ainda uma grande quantidade de compostos fenólicos que resguardam as artérias.

Leia mais sobre os benefícios da Ora-pro-nóbis aqui.

Por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

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