Estado americano força condenados à morte a escolher entre cadeira elétrica e pelotão de fuzilamento

Carolina do Sul está há dez anos sem realizar execuções por falta de drogas para injeção letal. Organização de ajuda a presos denunciou a decisão do governador republicano Henry McMaster como 'horrível, chocante e abominável'


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Cadeira elétrica usada para execuções em Columbia, na Carolina do Sul, em foto de março de 2019 (Foto: South Carolina Corrections Department via AP)

O estado americano da Carolina do Sul introduziu uma lei que obriga os condenados à morte a escolher entre o pelotão de fuzilamento e a cadeira elétrica, depois que a falta de drogas para injeção letal paralisou as execuções por uma década.

“Neste fim de semana, assinei uma lei que permitirá ao estado aplicar a pena de morte. As famílias e entes queridos das vítimas têm o direito de chorar e buscar justiça por meio da lei. Agora podemos fazer isso”, declarou o governador do estado, Henry McMaster, no Twitter.

O republicano, que apoia a pena de morte, quer retomar as execuções após um hiato de 10 anos em seu estado devido à escassez das substâncias usadas em injeções letais.

A lei, assinada na sexta-feira, torna a cadeira elétrica a primeira opção para um prisioneiro no corredor da morte em vez da injeção letal, e autoriza a formação de um pelotão de fuzilamento, que passa a ser a segunda opção.

A execução por injeção voltará a ser a opção prioritária quando estiverem disponíveis as substâncias necessárias, de acordo com o texto.

Até agora, o condenado à morte tinha que escolher entre a cadeira e a injeção, sendo esta última a escolha automática caso se recusasse a optar.

A organização de ajuda aos presos Incarcerated Outreach Network, com sede na Carolina do Sul, denunciou a decisão no Twitter como “horrível, chocante e abominável”.

Para o representante local da principal organização de direitos civis ACLU, Frank Knaack, o estado “encontrou uma nova maneira de reiniciar as execuções dentro de um sistema racista, arbitrário e sujeito a erros”.

“O sistema de justiça da Carolina do Sul comete erros, mas a pena de morte é irreversível”, acrescentou Knaack em um comunicado, observando que as pessoas de cor representam mais da metade dos condenados à morte, mas apenas 27% da população americana.

A cadeira elétrica não é usada desde 2008 e a última execução por injeção foi em maio de 2011, de acordo com o governo local.

A Carolina do Sul é o quarto estado dos Estados Unidos a permitir a pena de morte por pelotão de fuzilamento, junto com Mississippi, Oklahoma e Utah, de acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte.

Apenas três condenados morreram alvejados por um pelotão de fuzilamento, todos em Utah, desde que a Suprema Corte restabeleceu a pena de morte em 1976.

Fonte: G1

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