“Estamos assustados com o aumento do número de atendimentos”, diz médico do HBB

Entre a última sexta-feira (12) e às 17h desta quinta, 324 pessoas procuraram o setor Covid do hospital; média diária é superior ao recorde anterior em 24 horas, verificado nos dias 7 e 28 de dezembro de 2020.


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Plantonista da UTI Adulto e Covid e coordenador do atendimento 24h e da Unidade de Cuidados Paliativos do HBB, Juliano Dalla Costa (Foto: Caroline Silva)

O aumento do número de atendimentos do setor Covid do Hospital Bruno Born (HBB) de Lajeado nos últimos dias preocupa os profissionais da saúde. Isso porque entre a última sexta-feira (12) e às 17h desta quinta, 324 pessoas procuraram o setor Covid do hospital, média de 47 por dia. O número é muito superior ao recorde anterior, verificado nos dias 7 e 28 de dezembro de 2020, quando houve 35 atendimentos diários.


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Nesta quarta-feira (17) em entrevista para a Rádio Independente, a coordenadora de Vigilância Epidemiológica de Lajeado, Juliana Demarchi, disse que o aumento da procura por atendimentos poderia estar relacionado ao fechamento do posto central no feriadão de carnaval. No entanto, o plantonista da UTI Adulto e Covid e coordenador do atendimento 24h e da Unidade de Cuidados Paliativos do HBB, médico Juliano Dalla Costa, disse que essa possibilidade começa a ser descartada. “Estávamos atribuindo esses aumentos ao feriadão pelo fechamento dos consultórios e unidades básicas de saúde, contudo a semana iniciou, os postos de saúde reabriram e o volume alto de atendimento continua, então várias hipóteses começam a surgir na nossa cabeça”, declara.

Conforme o médico, a maioria dos pacientes que têm procurado atendimento apresenta sintomas graves, e mesmo não sendo comprovada a presença da nova variante do coronavírus na região, é uma possibilidade. “A característica dessas variantes não é propriamente o aumento da gravidade da doença e sim a velocidade da transmissão, então se a gente aumenta a velocidade de transmissão, teremos mais casos e mais casos graves ao mesmo tempo”, explica.

Com a alta demanda, o profissional diz que os pacientes com sintomas leves podem esperar até 4h para serem atendidos. “Temos bastante gente em espera. A gente tem priorizado através de uma classificação de risco nas cores azul, verde, amarelo e vermelho, e o tempo de espera varia de acordo com essas cores. Na cor azul é possível esperar até 4h. Isso é ruim para o paciente, mas precisamos priorizar a qualidade do atendimento e não a velocidade”, observa.

O doutor fala que há uma grande preocupação sobre um possível colapso no sistema de saúde. “A gente vêm lendo sobre diversas novas variantes e isso é uma questão de tempo para que chegue aqui. E, de volta, a gente fica receoso sobre o colapso do sistema de saúde. A gente está bastante assustado com o aumento do número de casos”, desabafa.
Internações no HBB

Internações no HBB

Às 17h desta quinta-feira (18) o site do HBB, mostrava que 10 dos 10 leitos de UTI Covid estavam ocupados (100%), sendo quatro pacientes de fora da região. Eram cinco pessoas com confirmação da doença e cinco com suspeita. O setor de internação tinha 11 (quatro confirmados e sete suspeitos) de 15 leitos ocupados (73%) e na observação a ocupação era de 100% com cinco pessoas com suspeita de Covid-19, para apenas cinco leitos disponíveis.

Texto: Caroline Silva
jornalismo@independente.com.br

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