“Estamos sempre tentando ampliar o gasto sem ampliar a receita. Isso não tem como dar certo”, destaca economista

Inflação oficial do Brasil fechou 2017 em 2,95%, abaixo do piso da meta fixada pelo governo, de 3%, segundo informou o IBGE.

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Foto: Kainan Oliveira

A inflação oficial do Brasil fechou 2017 em 2,95%, abaixo do piso da meta fixada pelo governo, de 3%, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (10). É a primeira vez que isso acontece desde que o regime de metas foi implantado no país, em 1999.


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De acordo com o professor e economista Eloni José Salvi, o corte da nota do Brasil de ‘BB’ para ‘BB-‘ no índice da S&P Global Ratings, significa que a capacidade do país em resolver suas questões, principalmente financeiras, está cada vez mais com dificuldades. “Estamos sempre tentando ampliar o gasto sem ampliar a receita, e isso não tem como dar certo. Alguém que está se endividando é alguém que está perdendo crédito. Essa é a logica para qualquer pessoa e para o país”, destaca o profissional.

Salvi explica que o elo entre política e economia é muito grande, por isso, quando há problemas com a política, a economia se retrai. A corrupção e a revelação de operações e escândalos, faz com que a percepção desses problemas seja mais evidente, deixando, assim a população muito mais pessimista. “Todos escandalos e degradação do cenário político acaba nos deixando com medo. Temos um medo maior porque temos um maior conhecimento das coisas que estão acontecendo”, relata.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) sofreu uma desaceleração em 2017 devido, principalmente, ao aumento da safra que resultou na queda do valor dos alimentos, além dos preços de itens primários para o dia a dia.

Ao longo de 2018, a inflação deve “voltar à normalidade” de acordo com estudos. Para Salvi, o sentimento em relação ao aumento de valores é bem maior do que a queda de determinado valor, por isso, percebe-se relatos que desqualificam os números de inflação. O professor explica também que o valor de aumento é sentido de formas diferentes conforme o índice de renda das pessoas. “Uma pessoa que ganha um salário sente muito mais o aumento no preço do gás do que uma pessoa que ganha cinco mil”, cita.

O economista destaca ainda a necessidade de ajuste no orçamento. É preciso gastar aquilo que se tem, pois, o excesso gera dívida que pode ir se acumulando e gerando mais problemas. “Ou você gasta menos ou você se ajusta conforme os gastos”, finaliza. KO

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