Estudante da Univates vence o Grand Prix de um dos maiores prêmios de design do Brasil

Outros dois projetos de estudantes ganharam o bronze na categoria Impacto Positivo/ Estudantes


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Foto: Divulgação

O prêmio de Ouro da categoria Design de Impacto Positivo/Estudantes da 11ª edição do Brasil Design Award (BDA) é da estudante do curso de Design da Universidade do Vale do Taquari – Univates Mariana Scheeren. Além do Ouro, o projeto ainda levou o Grand Prix do concurso na categoria estudantes. O anúncio foi feito na última terça-feira, 7, em evento virtual promovido pela Associação Brasileira do Design (Abedesign), que é considerado a maior premiação do setor no País.

A obra “Retrato Sensorial: a utilização do design na criação de um produto fotográfico destinado a pessoas cegas” é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Mariana, sob orientação da professora Silvia Dapper.

Foto: Divulgação

Também foram premiados com bronze os projetos “Coleção Futureworld – Roupas transformáveis como uma alternativa sustentável para o guarda-roupa do futuro”, fruto do TCC da estudante de Design de Moda Margeli Chitolina, com orientação do professor Cristian Metz; e “Resolveu?”, dos estudantes Ana Paula Parizotto, Júlia Amanda Becker, Laís Dametto, Maiquel Gustavo Wommer, Milene Guaragni Bram, Rafael Laste, Dennis Roberto Nervo da Cruz, Táila Quadros, Ryan Bergonci, Tainá Erbes, Thales Duarte e Vinicius Mallmann, resultado de um dos projetos do [ ESC ] Estúdio de Criação Univates, componente curricular interdisciplinar dos cursos da economia criativa.

Conheça os projetos

Retrato Sensorial

Mariana explica que a ideia do projeto existe desde 2016 e foi criada em uma disciplina de Metodologia de Projeto, também com a professora Silvia Dapper. “Sou fotógrafa profissional há cerca de 7 anos e apaixonada por fotografia a vida toda. Também sou apaixonada por design, e o maior sonho da minha vida era poder conciliar essas duas áreas em um projeto. Não sabia qual seria, mas sabia que ele viria a acontecer, sim! Com ajuda da Silvia, chegamos à ideia de imprimir uma imagem tridimensionalmente. Fazia total sentido e eu estaria juntando as minhas áreas do coração. Além disso, sempre tive o encantamento pela ajuda ao próximo. E pensando no projeto, passei a perceber que ele poderia se destinar a deficientes visuais”, afirma a estudante.

Mariana então iniciou o processo de pesquisa. “Durante meus estudos, percebi que a fotografia impressa 3D, por si só, não teria o mesmo impacto. Quem vê sabe o que está vendo e o que está tocando. Mas quem não vê imagina de uma forma diferente o que sente, sem contar que o produto não teria textura e calor, assim como um rosto tem. Então eu percebi que precisava criar mais e assim o fiz. Por isso que o Retrato Sensorial é um quadro que apresenta uma experiência sensorial, quase que completa, auxiliando o usuário final, a partir dos conceitos do design emocional, a ter uma experiência sensorial e guiá-lo a fruir a peça, independentemente se essa pessoa tem o sentido da visão ou não”.

“Além dessa parte técnica, a ideia do Retrato Sensorial surgiu da junção de dois amores (fotografia e design), em conjunto com a necessidade de dar voz à urgência de mostrar para as pessoas o quanto a fotografia enfatiza o nosso legado no mundo. Assim como diz o ditado popular: a memória falha, mas a fotografia não. Por isso afirmo que todos somos merecedores de termos nossas memórias registradas em fotografias,independentemente se vemos ou não”, argumenta a estudante.

Sobre receber o prêmio, Mariana confessa que é uma sensação estranha. “Eu estou radiante, feliz e até emocionada! Eu amo o meu trabalho e eu queria que a causa que ele enfatiza tivesse uma visibilidade ampliada, para além da Universidade. Mas, ao mesmo tempo, é um trabalho muito sensível para mim, porque mexe com meu âmago e envolve muitos sentimentos. Por isso que eu brinco que ele é meu filho: eu criei ele para o mundo, mas ele sempre estará dentro do meu abraço. A notícia de ser selecionada como finalista já me deixou extremamente empolgada, mal acreditava! Mas depois de ver tantos trabalhos incríveis concorrendo, não imaginei que o Retrato Sensorial chegaria tão longe. Quando vi o resultado, tive um misto de sentimentos felizes, bem como um orgulho de ver meu trabalho indo tão longe, sem contar na honra de ver meu trabalho e minha Universidade representados por mim em um concurso tão importante!”, enfatiza.

O Retrato Sensorial consiste em um quadro fotográfico que inclui a fotografia impressa tanto na forma 2D quanto em 3D. A composição do quadro inclui a descrição da imagem em braile e também fica acessível à audiodescrição.

Coleção Futureworld

O trabalho de Margeli foi inspirado na série Westworld e abordou a moda no futuro e a sustentabilidade. “A ideia foi pesquisar e desenvolver peças transformáveis como alternativa de sustentabilidade no consumo de moda. Parti da reflexão sobre qual a influência ou o impacto das roupas transformáveis em uma possível melhoria na qualidade do consumo de moda na contemporaneidade. A partir disso, a solução criada foi a coleção Futureworld, apresentada por meio de croquis técnicos e peças em escala 1:6, composta por cinco peças principais que geram 10 looks transformáveis.”, explica Margeli.

Resolveu?

O projeto Resolveu? é um aplicativo de reclamações para problemas corriqueiros das cidades terem visibilidade e serem resolvidos. O projeto teve início na nova disciplina do Estúdio de Criação, seguindo um modelo de grupo de trabalho misto, com participantes de diferentes cursos da economia criativa. “Nosso desafio era desenvolver algo com base no tema ‘Fantasmas da cidade’ para assim propor melhorias e inovações para as cidades da nossa região. Desenvolvemos o projeto colaborativo ‘Resolveu?’, um aplicativo que busca centralizar as reclamações dos usuários a respeito da infraestrutura de sua cidade, promove interação entre eles incentivando mutirões para resolver problemas em equipe, além de também contar com um sistema de troca de pontos por cupons no comércio local”, conta a estudante Ana Paula Parizotto, integrante da equipe do projeto.

Saiba mais: Brasil Design Award (BDA)

A 11ª edição do Brasil Design Award (BDA), considerado pela publicação digital Fast Company como “o melhor do País em forma, conceito e propósito”, reconheceu projetos que primam não apenas pela qualidade da execução e pelo conceito criativo, mas também trazem propósitos conectados às demandas mais urgentes da sociedade. O evento teve um número recorde de inscrições: 1.624, um crescimento de 11% em relação à edição anterior e de 90% em relação a 2019. Foram definidos sete prêmios máximos (Grand Prix), contra quatro atribuídos em 2020. O trabalho de Mariana Scheeren foi um dos escolhidos entre os sete prêmios principais, ao lado de grandes estúdios e empresas, como Itaú e Canal Brasil. Em 2021, o tema foi “Que bandeira você carrega? Por que a bandeira?”. AI/VM


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