Estudante de Biologia registra animais silvestres na área urbana de Lajeado

Mastofauna terrestre do Jardim Botânico foi observada por Gabriel dos Santos Prass.


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Armadilhas fotográficas foram posicionadas em locais estratégicos no Jardim Botânico (Foto: Gabriel dos Santos Prass / Divulgação)

O estudante de Ciências Biológicas da Universidade do Vale do Taquari (Univates) Gabriel dos Santos Prass realizou, como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), um estudo sobre a fauna de mamíferos terrestres do Jardim Botânico de Lajeado (JBL). Durante o estudo ele registrou animais conhecidos e espécies que ele classifica como surpreendentes em meio ao contexto urbano da cidade.

Prass trabalhou com três diferentes procedimentos associados para indicar a presença dos animais no Jardim Botânico, a maior área verde do município. A armadilha fotográfica, a armadilha de pegadas e busca visual por indícios da presença dos mamíferos revelaram ao estudante 10 diferentes espécies no local entre agosto e outubro de 2020, seu período de análise.

Achados

“Muitas das espécies identificadas eu já esperava encontrar”, diz ele. A surpresa ficou por conta de duas delas, furão (Galictis cuja) e um quati (Nasua nasua), com pelo menos um indivíduo registrado de cada espécie. O registro desses animais é raro em ambientes urbanos, como o que, gradativamente, cresce no entorno do JBL. O furão se alimenta de pequenos roedores, aves e répteis. O quati registrado é um macho, fato que também desperta a atenção do estudante. “Provavelmente ele se dispersou do bando, já que as fêmeas e os filhotes vivem em grupos. Este espécime deve ser um pré-adulto”, observa Prass. O quati também tem hábito de se alimentar de pequenos roedores e répteis, além de insetos e frutos.

Conhecer para proteger

O jovem espera que o trabalho não apenas o auxilie na conclusão do curso, mas que amplie o conhecimento do público em geral, permitindo que se conheçam os animais registrados no Vale do Taquari. O trabalho tem como objetivos contribuir para o conhecimento e a preservação das espécies regionais, promovendo informações para a estratégia de educação ambiental de Lajeado. “Espero sensibilizar e mobilizar as pessoas para a conservação das espécies e da mata, da qual depende a mastofauna”.

Prass revela que sempre gostou dos mamíferos. “Foram eles que me motivaram a estudar Biologia. Com o aprendizado ao longo do curso eu fui gostando mais desse grupo”. Gabriel explica que, em geral, mamíferos têm hábitos noturnos e as armadilhas fotográficas funcionam bem, pois permitem que o pesquisador não precise estar no campo. “É um método não invasivo também. Não precisamos capturar o bicho para fazer o seu registro.”

O estudante defende a importância do conhecimento da fauna que ocorre na região. “As pessoas em geral associam os mamíferos aos animais de médio e grande porte do continente africano e não conhecem as espécies que ocorrem aqui e sua importância ecológica local”, argumenta ele. Exemplos são os relacionados ao trabalho de dispersão de sementes e a polinização, além do controle de populações de outras espécies que os mamíferos realizam.

Como a pesquisa foi feita

Três armadilhas fotográficas, instaladas entre agosto e outubro de 2020, foram posicionadas em locais estratégicos no Jardim Botânico. “Ou seja, lugares que favorecem a ocorrência de mamíferos, como os cursos d´água, as árvores frutíferas e as prováveis tocas”. A armadilha de pegadas é um recurso que consiste em deixar caixas de areia posicionadas com atrativos para os animais ao longo de trilhas na mata. No caso da pesquisa de Gabriel, elas ficaram distantes uma da outra cerca de 120 metros. Enquanto o estudante verificava a presença de pegadas deixadas nas caixas ele observava o entorno em busca de outras pistas que pudessem indicar a presença de mamíferos.

Espécies identificadas

  • Tatu-galinha: Dasypus novemcinctus
  • Graxaim-do-mato: Cerdocyon thous
  • Mão-pelada: Procyon cancrivorus
  • Quati: Nasua nasua
  • Furão: Galictis cuja
  • Gambá-de-orelha-branca: Didelphis albiventris
  • Ratão-do-banhado: Myocastor coypus
  • Ouriço-cacheiro: Sphiggurus villosus
  • Serelepe: Sciurus aestuans
  • Roedor: não identificado

Outros estudos

Ao longo da pesquisa o estudante notou poucos estudos realizados na região com objetivos similares ao do seu trabalho. Em destaque, ele cita um sobre a mastofauna do Vale do Taquari, publicado em 2007. Mais recentemente outro estudo foi realizado, não publicado, porém relacionado às espécies de mamíferos observadas no campus da Univates. AI/CS

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