Estudantes de magistério protestam em defesa da educação, em Estrela

Cerca de 130 alunos do IEEEM fecharam rua e manifestaram com cartazes, apitos e panelas na tarde desta segunda-feira (18).

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Estudantes do IEEEM utilizaram boneco para simbolizar manchas de sangue na educação (Foto: Natalia Ribeiro)

A greve do magistério gaúcho ganhou força nesta segunda-feira (18) no Vale do Taquari. Em assembleia do Cpers/Sindicato na quinta-feira passada, dia 14, educadores decidiram pela paralisação. Como a sexta-feira (15) foi de feriado pela Proclamação da República, portanto, sem aulas, o termômetro da adesão foi tirado hoje. Estudantes do Instituto Estadual de Educação Estrela da Manhã (IEEEM), de Estrela, protestaram à tarde, com cartazes, apitos, panelas e fechamento da Rua Júlio de Castilhos, na altura do educandário, bloqueando a passagem de veículos.


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O ato foi articulado pelos alunos, que fazem formação em magistério e em breve estarão nas salas de aula. Eles temem serem atingidos com parcelamento de salários e também por possíveis mudanças no plano de carreira da classe, propostas pelo governador Eduardo Leite (PSDB). Representando o grupo, Andriele Mentzen de Oliveira, 18 anos, coloca que “também seremos professores algum dia. Farei estágio no ano que vem e pretendo seguir essa carreira. Acho que temos o direito de lutar”.

Cerca de 130 estudantes participaram da manifestação, segundo estimativa dos alunos. Há pouco mais de 200 matriculados na instituição. Nos cartazes os manifestantes pediram a ajuda do governo para salvar a educação, além de gritar que “alunos na rua, Leite a culpa é sua”, fazendo menção ao governador. Outra estudante, Larissa D’Ávila dos Santos, 18 anos, afirma que “a gente acredita que temos de ir atrás dos nossos direitos. Ano que vem estaremos nas escolas e não queremos isso para o nosso futuro”. Ela e Andriele farão estágio final em 2020.

Diretora do IEEEM, Marisa Cristina Görgen diz que os professores foram surpreendidos com o desejo dos alunos de manifestar. Por mais que o ato tenha sido planejado pelos estudantes, o colégio concordou em intercalar aulas com atos de mobilização na segunda e terça-feira (19). “Nós estamos quase encerrando o trabalho, mas eles estão iniciando. E eles sabem que o futuro está em jogo. Tanto o magistério quanto o Ensino Médio, com escolas sucateadas”, coloca.

Na quarta-feira (20), conforme a diretora, o grupo docente vai se reunir para avaliar se adere ou não à greve do magistério. Na mesma data, a partir das 8h, alunos partirão em caminhada do colégio, na Rua Júlio de Castilhos, no Bairro Cristo Rei, em direção à 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), no Centro de Estrela. O trajeto até a autarquia mantida pelo Estado é de aproximadamente 1,5 quilômetro.

Mobilizações no Vale

Não há aulas na Escola Estadual de Ensino Médio Estrela (EEEM), em Estrela, e no Colégio Estadual Presidente Castelo Branco, Castelinho, em Lajeado. A direção do IEEEM pontua que o colégio estrelense não está parado e que as aulas estão sendo intercaladas com mobilizações dos alunos.

Nas redes sociais, o Instituto Estadual de Educação (IEE) Pereira Coruja, em Taquari, informou adesão à greve e não estimou a data em que as aulas serão retomadas.

A maior parte dos educandários estaduais no Vale do Taquari ainda definiu os rumos da mobilização. Conforme o diretor-geral do 8º Núcleo do Cpers/Sindicato, com sede em Estrela, Gerson Johann, “no final de tarde são 21 reuniões em escolas”. Avaliam ainda hoje a adesão ou não à greve a Escola Estadual de Ensino Médio Guararapes (EEEM), em Arroio do Meio, e o Colégio Estadual Jacob Arnt, em Bom Retiro do Sul. A Escola Estadual De Ensino Médio Santa Clara, em Santa Clara do Sul, se reúne na terça.

Faixa colocada em frente ao Colégio Castelinho diz “Escola fechada contra caos na educação” (Foto: Natalia Ribeiro)

A participação na greve é parcial na Escola Estadual de Educação Básica Vidal de Negreiros, em Estrela. Dez professores aderiram à paralisação. Na quarta-feira (20) deve ocorrer reunião no Vidal para avaliação do movimento. Na Escola Estadual Ensino Médio (EEEM) João de Deus, em Cruzeiro do Sul, cinco educadores aderiram, fazendo com que a direção avalie a greve como parcial. As aulas ocorrem, por meio de ajuste nos períodos de aula, e depois os estudantes são liberados. A direção do colégio fará reunião amanhã para discutir os rumos da paralisação.

No fim desta tarde, o cpers informou mais adesões em Taquari, na Escola Estadual Ensino Médio Barão de Ibicuí, no Colégio Estadual Júlio de Castilhos e na Escola Fundamental Nossa Senhora da Assunção; em Encantado, no Instituto Estadual de Educação Monsenhor Scalabrini e na Escola Estadual de Ensino Fundamental Jardim do Trabalhador; e na Escola Estadual de Ensino Médio Reynaldo Affonso Augustin, em Teutônia. A reportagem não conseguiu contato com as referidas instituições.

Texto: Natalia Ribeiro / [email protected]

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