Estudantes de Estrela protestam contra volta às aulas no Ensino Médio

Calendário estadual prevê retomada na rede pública em 13 de outubro.


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Com retorno previsto para 13 de outubro em calendário proposto pelo governo do Rio Grande do Sul, um grupo de alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Estrela (EEEM), de Estrela, protestou na tarde desta sexta-feira (18). Com cartazes, eles pediram que as aulas da rede pública não sejam retomadas em meio à pandemia da Covid-19. Cinco estudantes participaram do ato em frente à 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), na Rua Coronel Müssnich, no Centro de Estrela.

Eles levaram cartazes, que foram colocados na grade da repartição estadual. Ficaram no local em torno de uma hora, das 14h às 15h, com o objetivo de despertar a atenção da comunidade para o tema, como fala a estudante RCB, 17 anos, do 2º ano do Ensino Médio. “É muito importante fazer esse movimento porque a gente chama a atenção para mostrar que não estamos prontos para voltar com as aulas. Vemos que não tem estrutura e apoio do governo para que isso aconteça”.

Na opinião da jovem, itens de prevenção à doença não seriam ofertados aos alunos, que fazem aulas remotas, em casa, desde março. “Não tem máscaras disponíveis, não tem álcool gel, não tem produtos de limpeza e higiene. Não tem o suficiente para voltarmos”, acredita. O aluno GSR, de 16 anos, que cursa o 1º ano do Ensino Médio, reconhece as dificuldades de aprendizagem do atual momento. Contudo, e com receio do novo coronavírus, ele não pretende voltar à escola. “Porque senão vou colocar a mim e a minha família em risco”, fala.

Através de cartazes o grupo pediu “teste de coronavírus para todos”, disse que “somos alunos, não cobaias. Aulas presenciais só com testagem em massa e confiança” e também mencionou o governador do estado, colocando que “Eduardo Leite não é estudante. Eduardo Leite não é professor”. Eles relatam não serem questionados a respeito da volta das aulas. O mesmo diz o Cpers-Sindicato, que representa os professores e apoiou o movimento. Quem relata é o diretor-geral do 8º Núcleo da entidade de classe, com sede em Estrela, Gerson Johann.

“O governo do Estado não conversa com os professores e com os alunos. Não quer saber da opinião deles, quer impor uma medida de volta às aulas. Entendemos que isso não é necessário. Podemos terminar este ano de uma forma tranquila e como foi tocado até este momento. A mudança não vai acrescentar em nada para a sala de aula. Pode, sim, significar a perda de alunos, de vidas e da saúde da sociedade”, reflete ele.

Os estudantes usaram máscara e fizeram distanciamento durante o ato. O portão e a porta de entrada da CRE estavam fechados com cadeado. Não há informações sobre atendimento ou não na tarde da sexta. Os alunos e o sindicato dizem que não foram contatados durante a manifestação. Levantamento do Cpers aponta que 30% do quadro de professores e funcionários de escolas estaduais no Vale do Taquari é grupos de risco para a Covid-19.

Texto: Natalia Ribeiro
jornalismo@independente.com.br

4 Comentários

  1. Gostaria de saber se todos os estudantes da reportagem e suas famílias praticam o isolamento social como recomenda a OMS, desde o início da pandemia. Espero que sim. Sou plenamente à favor ao retorno da volta às aulas e tenho três filhos de diferentes idades, que praticaram o isolamento tal qual definido e não nos sentimos ameaçados pelo retorno pois continuaremos a nos preservar. Veja, acho importante que cinco estudantes defendam seus pontos de vista, mas penso que não sejam unanimidade já que os colegas não os acompanharam. Em uma democracia, vence a maioria e não a totalidade.

  2. Escutei a reportagem e ainda quero complementar. Quando fiz o ensino médio foi integralmente no período noturno já que precisava ajudar no meu próprio sustento. Os jovens que não precisam fazer desta forma já são privilegiados pois podem ficar em casa enquanto seus pais trabalham, inclusive para pagar os impostos para proporcionar educação aos seus filhos. Pouquíssimas escolas estavam preparadas para o ensino à distância, então este ano o estudo ficou capenga. Exigir que as aulas só retornem após a vacina é incoerente, já que estas não tem data para estarem disponíveis e quando estiverem, não estarão para todos os públicos. Quanto ao Eduardo Leite não ser professor ou estudante, eles também não são governadores e apesar de não terem sido ouvidos, conforme alegam, foram ouvidos especialistas na área da saúde e epidemiologia, que são autoridades no assunto, como eles hão de ser se estudarem.

  3. Os decretos falam que devem ser afastadas as pessoas de risco dos serviço e empregos.
    Então muitos estão trabalhando em empresas grandes (inclusive pessoas da minha família, já pegaram COVID e dois morreram), poucos foram afastados, ou se foram já retornaram e não estão cheios de mimi…. Vida que segue… Os profissionais da saúde também tiveram medo no início, mas não tiveram a opção de ficar em casa, estão na batalha desde o início. Os que foram afastados, estão voltando porque não podem ficar parados para sempre. O vírus sempre vai existir, assim como todos os outros já existentes, e ai, vai se parar por todos esses outros vírus? Temos que aprender a conviver com mais um vírus.
    E todo mundo só sabe por a culpa no governo e na politica (ok tem culpa também)…. em quanto que todos são culpados.
    Tem funcionários da área da saúde que tem direito a ser afastado, mas tem que trabalhar pra cuidar das pessoas que dizem estar fazendo o isolamento e se cuidando, mas quando saem pra ir no mercado ou farmácia, PUBs, posto de gasolina, na vizinha, ou nos avós pra deixarem os filhos e ir trabalhar, já estão quebrando isolamento e vão sem os cuidados necessários. A contaminação vai ocorrer em qualquer lugar, inclusive na ida ao mercado ou na casa da família, não é só no voltar as aulas ou ao trabalho.
    Ninguém está fazendo o correto então.
    Os cuidados existem porque são necessários, não porque é “bonito”.
    Eu não to deixando de sair de casa e não vou deixar, uso mascara e tomo os cuidados.

    A AIDS também mata e nem cura tem ainda, ninguém parou o mundo, empresas, escolas e muito menos deixa de transar por causa dela, é só se cuidar, e muitos não se cuidam mesmo….

    Professores e funcionários que estão na zona de risco, ok, sejam afastados.
    Porque ninguém dessas pessoas é de “açúcar” pra não voltar a vida normal como todos os outros.
    Porque se não deveriam parar as empresas que geram e fabricam alimentos pro resto do povo que quer estar em casa dizendo que se cuida mais não se cuida. NÃO SE CUIDA MESMO. Entendam saiu de casa já não pode abrir a boca pra dizer que se cuida, porque já fez errado.

    Abram escolinhas pra pessoas que estão na fila de espera de concurso de prefeitura, já que os antigos não querem voltar, pois tem gente precisando de dinheiro….
    Porque tem muita gente que é contra voltar, mas ta na rua e cheio de mimi pra voltar a trabalhar, mas podem fazer viagens em família e assim por diante… que por cima ficam trazendo o vírus…

    No fim só ficamos em xingamentos e discussões e nunca ninguém sai satisfeito. Nem políticos, nem pobres e nem ricos.

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