“Eu era um escravo do vício”: o relato emocionante de um dependente químico em recuperação

"Todos os tipos de droga que chegaram até mim eu usei, ao ponto de injetar whisky com cocaína na veia do pescoço." Cascão afirma que parar com o uso de drogas foi a melhor decisão de sua vida.


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Luciano Alves de Freitas, o Cascão (Foto: Rodrigo Gallas)

Recebemos nesta sexta-feira (2) no quadro “Sem Preconceito” no programa Panorama o dependente químico em recuperação Luciano Alves de Freitas, o Cascão. Ele fez um relato emocionante da sua história: “eu era um escravo do vício, do uso das drogas”, mas disse que não sofreu preconceito por ser dependente químico.

Cascão conta que até os sete anos acreditava que tinha chegado ao mundo por meio de uma cegonha, história contada por seus pais. Depois teve contato com a bíblia e a escola, e conheceu outras realidades que o deixaram confuso. “Eu não sabia no que acreditar.”


ouça a entrevista

 


 

Segundo Cascão, esta confusão causou um trauma em sua vida. Aos oito anos, ele já teve contato com drogas na escola. Em casa, desde criança, bebia a sobra da bebida do pai. “Ele me dizia que era pra gripe.” “Desde pequeno o álcool já estava no meu sangue.”

Além do resto das bebidas, Cascão também fumava as bitucas de cigarro que o pai descartava. “Um dia na escola me ofereceram o que eu acreditava ser um cigarro”, mas não era. A substância consumida era maconha. “Aquilo pra mim foi uma anestesia de todos os problemas que eu estava passando.”

A maconha foi a porta de entrada para outras drogas. “Todos os tipos de droga que chegaram até mim eu usei. Ao ponto de injetar whisky com cocaína na veia do pescoço para fazer o efeito, porque não existia mais outra droga. Eu estava em um estado deplorável.”

A motivação para sair do vício em drogas surgiu quando um conhecido lamentou para ele sobre o seu estado. Percebeu neste momento que estava sozinho naquela vida, pois a maioria dos seus amigos não estavam mais junto a ele. “Morreram na cadeia, morreram atropelado ou morreram de overdose.”

Cascão foi usuário de drogas dos oito aos 22 anos, quando decidiu e conseguiu parar. “Não foi fácil. Muitos não conseguem.” Nesse sentido, destaca que foi a melhor decisão da sua vida. Foram necessários 90 dias para a sua recuperação na antiga “Fazenda Renascer”.

Ele ainda falou sobre o seu desejo de ser pai e como a religião o ajudou a superar o vício em drogas.

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

2 Comentários

  1. Muito importante ouvir esses relatos! É tanto um alerta para os perigos das drogas, como de hábitos dos pais, etc.. Precisamos cuidar mais dos nossos hábitos como adultos também! Nossa sociedade ainda estimula tanto o álcool, cigarro, medicamentos que podem dar a ideia do escapar das questões existenciais de todos nós. Vamos conversar mais desde pequeno. Vamos ter vidas mais saudáveis emocionalmente e espiritualmente!

  2. Uma tristeza, mas que bom que ele aceitou ajuda.🌱🙏🙌
    Tudo hoje é muito fácil quem não tem sabedoria cai fácil.

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